Pra lá e pra cá
24/02/2009 às 05:21
Tragédia na Aclimação

Enquanto o Brasil se delicia com o Carnaval (nessa época do ano, as grandes manchetes dos meios de comunicação não tratam de outra coisa; será assim para sempre?), uma catástrofe ambiental ocorreu em São Paulo: o lago do Parque da Aclimação desapareceu. Em questão de minutos, 78 milhões de litros de água foram escoados, levando junto peixes, tartarugas e aves aquáticas.

Conforme os primeiros relatos na imprensa, o motivo da tragédia teria sido o rompimento da base do vertedouro. Ou seja, o chão do sistema que regula o nível de água do lago rachou ou quebrou. Hoje, as autoridades começam a fazer aquilo que costumam fazer em situações como essa: alguém do primeiro escalão do governo irá visitar o local, uma perícia será realizada etc.

Interessante, porém, é notar a reação paradoxal de quem estava no parque ontem à tarde. Enquanto frequentadores do parque tentavam salvar a vida dos animais que se debatiam na lama e transferiam peixes para um tanque com a ajuda de baldes conseguidos junto a vizinhos, funcionários teriam ficado “de braços cruzados” (Folha de S. Paulo), apenas alertando que o parque fecharia, como de costume, às 20 horas. Até mesmo o Corpo de Bombeiros teve dificuldade para salvar cisnes no meio do lago.

São Paulo é famosa por suas raríssimas áreas verdes. Parte da justificativa é que, durante décadas, a metrópole foi refém de um acelerado crescimento populacional. São ainda mais raras as áreas verdes frequentadas ou habitadas por espécies animais. O Parque da Aclimação com seu lago formavam um dos principais cartões postais verdes da cidade. O mais triste é saber que mesmo essas poucas áreas não recebem a manutenção merecida e não contam com equipes minimamente preparadas para lidar com situações de emergência. Deveríamos aprender com estes cidadãos que se engajaram, se ajudaram e se arriscaram no lodaçal. De musas de Carnaval, deveríamos estar fartos.




Comentários

25/02/2009 às 16:37
Alexandre Simião - diz:
Alexandre Simião - diz:
É lamentavel o ocorrido, moro pröximo ao Parque e fiquei muito triste... Ainda mais pelo descaso por parte dos funcionarios.



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Por Thiago
Guimarães

Thiago Guimarães é jornalista, economista, mas antes de tudo paulistano. Com o apoio da Fundação Heinrich Böll (ligada aos verdes alemães), cursa o mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, em Hamburgo. O blog Pra lá e pra cá se define como uma praça onde pontos de vista e reflexões sobre mobilidade urbana sustentável costumam se encontrar.
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