Um é pouco, dois é bom, três...

O anúncio oficial veio anteontem, ocasião em que a foto acima foi divulgada. Em maio de 2009, turistas e moradores de Hamburgo poderão contar com um novo meio de transporte público: as bicicletas.
Mil estarão à disposição em
70 pontos concentrados no miolo da cidade, sobretudo perto de estações de metrô e em ruas bastante movimentadas por pedestres. (Pelo projeto original, apresentado em setembro do ano passado, seriam sessenta estações, conforme noticiado
aqui em primeirissima mão, antes até da imprensa alemã.) No ano que vem, completam o projeto
StadtRAD mais quinhentas bicicletas e outras 40 estações.
Embora haja muitas incertezas com relação à demanda pelas bicicletas (quantas pessoas vão se beneficiar do serviço? qual o perfil desses usuários?), o projeto foi tratado como uma questão de honra pela minoria verde da coalizão política que rege a cidade. Imagino que o acordo com os cristãos-democratas não tenha sido muito fácil, já que estes costumam se engajar apenas para melhorar as condições de circulação dos automóveis. Afinal, os conservadores ficaram famosos por abolir o verde automático dos semáforos para a travessia dos pedestres. Obrigaram os pedestres na cidade inteira a apertar o botão e esperar o verde, faça chuva ou faça sol. Um “progresso” em nome da fluidez dos automóveis...
As bicicletas do StadtRAD, definitivamente, não têm nada demais. Apenas a cor vermelha foi escolhida a dedo e servirá como elemento de identificação com Hamburgo. O desejo é que as bicicletas vermelhas estejam para a cidade portuária, assim como os ônibus vermelhos de dois andares se encaixam no imaginário em torno de Londres. Quem quiser montar em uma bicicleta pública terá de se cadastrar e pagar 5 euros (mais ou menos R$ 15). O uso da bicicleta será gratuito por meia hora. A partir do trigésimo-primeiro minuto, o serviço custará 4 centavos de euro por minuto (R$ 3,60 por cada meia hora adicional). Com esse modelo tarifário, espera-se que três quartos das viagens dure, de fato, menos de meia hora, o que garante uma grande rotatividade às bicicletas. O serviço será operado pela companhia de trens alemã.
Além das bicicletas de aluguel, dois outros grandes projetos importantes para a cidade estão em andamento: a construção da linha 4 do metrô da cidade e a inauguração de uma linha de bonde, cujo traçado também deu o que falar nos últimos meses. Os três projetos não só ajudarão a cidade a ficar mais atrativa para seus habitantes, como mostram a importância de um “olhar para o todo” e de desenvolver paralelamente sistemas de transporte diferentes e complementares. O que acontece em Hamburgo é um contraponto à prática muito comum de apostar todas as fichas em uma única solução. Solução essa que, em geral, é apresentada como infalível e, depois de um tempo, ou se prova insuficiente ou mesmo um verdadeiro pepinão.
Atualizado em 04/03/2009: A Prefeitura de Hamburgo informa que as bicicletas terão quadro de alumínio, um porta-volumes traseiro, 7 marchas e, conforme manda a lei, lanterna dianteira acionada por dínamo. Espera-se que cada uma delas seja usada, no mínimo, duas vezes por dia. A Prefeitura repassará anualmente 1,217 milhão de euros à operadora do serviço.
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