Pra lá e pra cá
30/10/2008 às 18:27
Direto da geladeira

Dessa vez eu me superei. Estou há mais de oito meses sem dirigir um carro. Sequer uma vez. Fato inédito desde que me habilitei a dirigir. Ainda me lembro muito bem do dia em que pedi ao instrutor para sentir como seria trafegar em algumas das principais avenidas da cidade.

Rascunhei um trajeto que incluía um pedaço da Marginal do Pinheiros, um bom trecho da Avenida 23 de Maio, um pouco da Avenida Brasil... Enfim, duas horas de inesquecível tensão no volante, com as quais aprendi um pouco de como (não) funciona o trânsito em São Paulo.

Hoje essa experiência e minha habilitação nada trazem para meu dia-a-dia. A Permissão Internacional para Dirigir deu vida a minha "carta" por algum tempo, mas agora, ela só vale em outros países. É uma regra meio estranha: agora que consigo ler melhor as placas em alemão, posso dirigir um automóvel na Dinamarca ou na Polônia, onde, talvez com muito esforço, consiga decifrar alguma coisa.

Na Alemanha, se quiser voltar o volante, precisarei voltar à auto-escola e fazer as provas de direção. O que, na verdade, não é nem tão necessário e nem tão simples, como era em São Paulo. A prova teórica funciona no mesmo estilo brasileiro, mas muitas questões são ilustradas com situações concretas. Já a parte prática exige um longo preparo. Até mesmo dirigir 3 horas por uma auto-estrada à noite é tarefa obrigatória do candidato.

Não, não passarei por esse vestibular. Mas também fica a questão da bicicleta. Dá para andar de bicicleta num frio de lascar desses? O inverno nem chegou, mas hoje, por exemplo, fez algo entre 2 e 6 graus. Basta sair na rua e subir na bicicleta para sentir no rosto o ar gelado (o pessoal por aqui fala que o ar é "fresco", acredite se quiser...) e ter a sensação de que as mãos estão congelando. O pior é quando escurece -- ou seja, quando o relógio marca cinco da tarde. Aí preciso acionar o farol da bicicleta e começo a xingar não só o tempo, como  também o diabo do dínamo. O mais estranho é chegar em casa quente por dentro e gelado por fora...

Uma cartilha me encoraja: "Não existe tempo ruim para andar de bicicleta. O que existe é apenas roupa inadequada." De fato, por enquanto, os pára-ciclos em frente à estação de trem continuam bem disputados. Só quando chove, fica mais fácil encontrar vaga para a bicicleta. Mas uma conclusão a respeito só conseguirei tirar no auge do frio, quando escreverei direto do congelador...





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Pra lá
e pra cá


Por Thiago
Guimarães

Thiago Guimarães é jornalista, economista, mas antes de tudo paulistano. Com o apoio da Fundação Heinrich Böll (ligada aos verdes alemães), cursa o mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, em Hamburgo. O blog Pra lá e pra cá se define como uma praça onde pontos de vista e reflexões sobre mobilidade urbana sustentável costumam se encontrar.
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