Pra lá e pra cá
16/10/2008 às 15:55
A cidade das bicicletas


Imagine uma cidade com muitas bicicletas. Mas muitas mesmo. Onde 35% de todas as viagens são feitas de bicicleta e, na hora do rush, até congestionamentos sobre duas rodas acontecem. Já imaginou? Em alemão, essa cidade se chama Münster.

Münster é sinônimo de cidade amiga das bicicletas e do clima. Sua fama devido às bicicletas -- o segundo meio de transporte mais usado na cidade; o primeiro ainda é o automóvel -- é maior do que a de sua tradicional universidade ou a de seu centro histórico barroco. Münster fez sua imagem ainda mais forte como contraponto às cidades industriais do Vale do Ruhr, que ficam ali perto e formam uma das maiores áreas conurbadas do mundo.

Pois bem, o município que costuma aparecer no topo dos rankings de qualidade de vida do país despontou também em primeiro lugar na estatística de lugares com o trânsito mais perigoso no estado da Renânia do Norte-Vestefália. Não há nas redondezas uma cidade onde o risco de se ferir ou de morrer devido a um acidente de trânsito seja maior do que em Münster.

De acordo com notícia publicada hoje no Spíegel Online, o número de acidentes de trânsito envolvendo bicicletas aumentou 30% entre 2001 e 2007. Culpa dos motoristas? Ledo engano. Os principais causadores de acidentes seriam os próprios ciclistas, que desrespeitam o sinal vermelho, pedalam bêbados ou até na contra-mão da ciclovia.

Dez policiais, agora, foram destacados para orientar os cicilstas e multá-los, se necessário. Tarefa essa bastante difícil. Ciclistas são os "sabidões", pensam que sempre estão com a razão, dizem que a polícia deveria cuidar do trânsito de automóveis. Isso quando não resolvem fugir dos guardas. Um dos agentes, continua a reportagem, teve de perseguir um infrator por três quilômetros para conseguir adverti-lo de que havia passado no vermelho.

Por causa desses pequenos abusos de liberdade, neste momento está em discussão o emplacamento obrigatório de bicicletas. O óbvio objetivo do projeto é permitir a identificação desses veículos, em caso de infração. Pode parecer estranha para alguns, mas essa solução combina bem com o perfil do problema na Alemanha, onde a regulação do Estado se faz presente em todo lugar, ainda mais quando se trata de evitar acidentes. Tudo para fazer de Münster a cidade das bicicletas do jeito que ela é conhecida e do jeito que ela deveria ser.

Foto: Mar de bicicletas em frente à estação de trem de Göttingen





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Por Thiago
Guimarães

Thiago Guimarães é jornalista, economista, mas antes de tudo paulistano. Com o apoio da Fundação Heinrich Böll (ligada aos verdes alemães), cursa o mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, em Hamburgo. O blog Pra lá e pra cá se define como uma praça onde pontos de vista e reflexões sobre mobilidade urbana sustentável costumam se encontrar.
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