Gasolina pré-paga

Começou nos Estados Unidos, já chegou na Europa e, pelo que tudo indica, a onda vai continuar se espalhando. Quem compra um carro novo da General Motors na Alemanha tem garantido o direito de comprar gasolina ou diesel, por dois anos, a um preço reduzido. Freguês, freguesa, é 1 euro o litro! Hoje, no posto de gasolina, o litro do combustível sai por algo entre 1,40 e 1,50 euro. Em Hamburgo, essa fabulosa estratégia de marketing e de vendas, chamada às vezes de gasolina pré-paga, pode ser percebida por qualquer um que anda por aí. Os cartazes estão bem espalhados pela cidade.
Essa tendência é compreensível e, pensando bem, não surpreende. Afinal, fabricar carros é cada vez mais barato. O
Tata Nano está aí para demonstrar isso. À medida que mais e mais indústrias se instalam na Ásia, os custos com mão-de-obra se reduzem. Até os salários no empobrecido Leste Europeu são o olho da cara em comparação com o que é pago aos trabalhadores no oriente. Matéria-prima para a fabricação dos veículos também há tempos não é motivo de preocupação. O xis da questao é o combustível que faz a geringonça andar. Quanto custará o litro da gasolina, digamos, daqui a um ano? Três, quatro, cinco reais? Depois da disparada do preçoo do petróleo deste ano, é melhor não arriscar.
Por isso, é de interesse dos fabricantes acalmar os consumidores na hora da compra. A estratégia ajuda a esvaziar o pátio -- o que é ótimo para a indústria nesses tempos de incerteza. E, pelo menos durante a vigência da garantia, o motorista desenvolve seu costume a esse modo de transporte e se contenta com um preço irreal. No fabuloso mundo da mobilidade barata, pensa que sai ganhando.
Uma vez, ao assinar um jornal, tive a mesma sensação. Fiquei supercontente com o presente: um multifuncional. Nunca havia usado ou sequer visto um. E quando chegou aquele pacotão em casa, achei o máximo. Foi como um Natal fora da hora. Até que, depois de algumas impressões, quase tive um infarto ao comprar o cartucho de tinta. O olho da cara! Só então, entendi o "presente de grego" que havia recebido. De fato, depois constatei que multifuncionais ou impressoras daquela marca são bem baratos. Podem ser encontrados quase a preço de banana. Lucro faz a indústria em cima dos exorbitantes preços dos cartuchos de tinta.
Enfim, a propaganda eleitoral gratuita. Os jingles mudaram, a situação do trânsito em São Paulo mudou. Mas os candidatos e suas propostas para a mobilidade urbana continuam, em linhas gerais, exatamente a mesma coisa. Triste.
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