Bebê e trabalho
Que ser mulher era difícil eu sempre ouvi e repeti. Mas sentir de verdade, só depois do nascimento do Lucas. O Sergio é ótimo pai, companheiraço. Dá banho, troca fralda, nina, brinca, conversa, canta. Mas eu amamento e sou a responsável pela rotina do Lucas. Essa não é uma reclamação pública, de jeito nenhum. Conversei com muitas mães antes de concluir que os pais "ajudam muito", mas que o peso do bebê no dia-a-dia fica, quase sempre (sempre, na minha amostra), com as mulheres.
Talvez daí venha a grande angústia de voltar a trabalhar depois do parto. Seja com licença-maternidade
de quatro meses,
seis meses ou poucas semanas, é muito difícil desenhar a nova rotina. Na lista do
Gama e da
Matrice, "volta ao trabalho" rende muitas conversas: dar um tempo na carreira, colocar num berçário, deixar com a minha mãe, com a sogra ou contratar uma babá?
Tenho o privilégio de trabalhar em casa há três anos e desde que o Lucas completou três meses iniciei a volta para a editora. Agora, aos quatro meses, tento voltar ao ritmo anterior e mil vezes me perguntei: colocar num berçário, deixar com a minha mãe ou contratar uma babá?
Vou a poucas reuniões fora de casa e levo o Lucas comigo, sem problemas. Mas em casa, não dá pra cuidar dele e trabalhar ao mesmo tempo. Pelo menos eu não consigo. Tenho contado com a minha mãe por perto; enquanto trabalho ela fica com ele e eu faço intervalos pras mamadas. E tem sido tão dificil... Demoro a me concentrar e quando pego o embalo, o Lucas quer mamar de novo.
Aí vem a culpa. Por produzir pouco e por não me dedicar ao bebê como gostaria. Uma amiga mãe pontuou: "Como produzir pouco, você tem idéia de quanto leite você produz? É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, não se cobre tanto". Juro que tento! Mas os prazos estão aí e as fraldas, mamadas, brincadeiras, banhos de sol também.
E no meio de tanta angústia, me deparo com o post
Quanto vale o nosso trabalho, da Giu, minha vizinha de blog. Queria copiar tudo aqui, mas o bom-senso sugere destacar um trecho:
"Não é esquisito? Veja só: muitos de nós passam o mês todo ralando no escritório para dar conta do pagamento da faxineira, da babá, do jardineiro, do pintor, do encanador, da comida pré-pronta do supermercado, do pão-nosso-de-cada-dia etc. etc. etc.Então, pensando de maneira lógica, se eu consigo dar conta dessas tarefas sem ter que pagar pela terceirização do trabalho, isso significa que eu preciso de menos dinheiro para viver e, consequentemente, que posso também trabalhar menos fora de casa, certo?"A lógica não tem funcionado muito bem comigo. Mas por concordar com muitos dos princípios colocados pela Giu ao longo do post, enquanto morava sozinha, cuidava da minha casa (ou não... rs) e das minhas roupas. Agora não dou conta de tudo, mas sigo, na maior parte do tempo, cozinhando, além das compras de alimentos
de que já falei, das fraldas
de que já falei, deste blog e do bebê. Mas mesmo com a sorte de trabalhar em casa e com a ajuda do Sergio, da minha mãe e da Rose (que cuida da casa três vezes por semana), trabalhar está muito difícil!
Cresce a admiração pelas
guerreiras que trabalham fora de casa e continuam com a
amamentação exclusiva, possível por
ordenhas diárias, estoque de leite e apoio de quem está em volta.
Comentários
27/02/2009 às 00:00Mara - diz:Pois é Bi...posso dizer o qto é complicado (pra ñ dizer dificil)...Bem o que posso dizer é que qdo a Bia completou quatro meses de vida abri mão do emprego para poder cuidar dela, pois ela estava abaixo do peso e por falta de informação ou não meu leite era pouco tive que ajudar com outro tipo de leite o que causava ressecamento(apesar de ñ amamentar graças a Deus a Bia nunca ficou internada mesmo assim fiquei muito triste e culpada por ñ ter leite suficiente a danada da culpa, né?)...além de tudo isso ela não mamava tinha que estar sempre oferecendo alguma coisa para a alimentação dela,isso após o quarto mês de vida, pq antes era só o leite e tinha que ser o de saquinho tipo A(fervido duas vezes) pois o leite em pó ressecava muito.Por tudo isso achei por bem abrir mão de trabalhar para estar com ela(pensei muito para tomar tal decisão)...então sei o qto é dificil ter seu espaço e estar atenta ao bebê sempre...Mas acho que só devemos parar de trabalhar em casos dificeis , ou seja como o da Bia que de meia em meia hora sempre oferecia algo pra que ela se alimentasse(ela rejeitava tudo) isso até um ano de idade depois melhorou um pouco mas ela sempre estava um kg abaixo do peso...Não é fácil e por isso se estiver tudo bem e a Maria estiver disposta acho que o correto seria deixar o Lucas com a Maria e junto com ela uma pessoa para dar um suporte,assim vc ñ precisa parar ou seja deixar de fazer o que tbém é importante na sua vida profissional pq vc tbém precisa estar produzindo se relacionando com pessoas pra poder estar bem...com o tempo vc verá que vc pode estar com ele nos tempos livres nos finais de semana ou feriados(e claro qdo voltar para casa) sei lá...ñ sei da sua disponibilidade, mas pode ter certeza que esses momentos em que vc estará com ele será de grande qualidade e de muita troca...escolinha é legal mas penso que só quando a criança ja está falando assim ela ja expressa seu sentimentos do jeitinho dela o dia que passou se foi produtivo, alegre...Afh! sei que nem perguntou minha opinião mas me senti exatamente como vc e acho que a maioria das mães se sentem assim, qto a culpa esqueça ela ñ existe pelo que tenho lido vc tem sido uma mãe admirável e responsável, mas a danada da culpa sempre apareçe isso é coisa da mente, esqueçe...Muitas vezes pensei que aquela situação duraria pra sempre,pois é dificil qdo estamos dentro da situação enxergar muitas coisas, mas faz parte...e Por Favor sem culpa ok?...Pense bem no melhor para os dois e siga o caminho do seu coração sem culpa.Muitas beijocas, se cuida.
27/02/2009 às 00:00Mariah - diz:Olá BiancaParabéns pelo Lucas! Realmente ser mulher não é nada fácil! Primeiro: Precisamos ser profissional, mãe, esposa, e dona de casa ao mesmo tempo. Você tem um marido de ouro, uma mãe maravilhosa e uma secretária que pode contar com ela pelo menos três vezes por semana...isso já ajuda bastante. Eu tive o privilegio de trabalhar com 22 mulheres que eram mães, esposas, donas de casa e excelentes profissionais! Com isso muitas experiências...uma delas foi...jamais deixar de lado você mesma! Não veja isso como uma crítica, mas como um alerta para tantas outras mulheres estão na mesma situação que a sua. Ser mãe é uma experiência única! Somente quem é para saber. Maternidade faz parte da nossa vida, afinal somos MULHERES! Isso mesmo! com letras maiúsculas literalmente. Não somos sexo frágil! Tenho colegas que, pararam de trabalhar para se dedicarem somente a maternidade e depois se arrependeram...não pelo bebê, mas por se anularem como profissionais, outras deram um tempo e depois voltaram, outra que foi promovida já na última semana da gestação(essa foi lindo! Ficamos todas emocionadas!), outras que se adaptaram tanto a rotina de trabalho, mamadas, ordenha...que tiveram mais filhos. A dica é...faça o que seu coração pedir. "Mais vale um gosto que dinheiro no bolso". Sabe o que tirei de todo esse aprendizado com as minhas 22 colegas de trabalho? Montei uma empresa que trabalha somente com produtos para mulheres que precisam conciliar maternidade com trabalho.(Você nem imagina o que a tecnologia criou ao nosso favor, tudo para atender os anseios de mães como você). Um grande beijo, boa sorte nessa nova jornada, e faça uma escolha consciente. Eu agora estou indo curtir a minha sobrinha linda! Ela tem apenas 15 dias. E...logo está vindo mais um sobrinho! Diga que isso não é uma dádiva de Deus? Força! Beijooooosss. Mamakids
27/02/2009 às 00:00Giuliana - diz:Giuliana - diz:Giuliana - diz:Oi, Bianca! Adoro seus posts, sabia? Leio sempre. E, dessa vez, quando vi a referência ao meu último post, pensei: puxa vida, o que dizer a ela? Entendo sua dificuldade e, acredite, várias vezes já me imaginei mãe, enfrentando dilemas desse tipo. O que sinto é que é preciso construir um caminho para esse processo, e ir avançando aos poucos, conforme o seu próprio ritmo e suas reais possibilidades. Você está numa fase de trabalho intenso em casa. Não seria justo defender que você não deve contratar ninguém para te ajudar ou que o certo seria você se desdobrar em vinte para dar conta de tudo – e ainda retomar o trabalho na editora. Se as decisões são difÃceis, procure não se culpar, cultivar a calma e buscar soluções que respeitem sua visão de mundo e, ao mesmo tempo, seu coração de mãe... Se o ideal ainda assim estiver muito longe, não desanime e viva o possÃvel, sem culpa. Quem sabe amanhã você não dá mais um passo nesse processo? Conte com os amigos. Um beijão pra vc, Giu
02/03/2009 às 00:00Raquel - diz:Olá Bia! Acompanho seus posts desde o princípio e, desde lá, eu me atenho aos detalhes dessa sua nova vida com o pequenino Lucas. Me atento, pois vejo que é o tipo de coisa que eu faria...ou o que eu gostaria de fazer, qdo for mãe. Li um texto no site Somos Todos Um e me recordei de você: http://somostodosum.ig.com.br/clube/c.asp?id=17069Espero que entenda as subjetividades do texto, pois eu quero também ter um equilíbrio entre minha realização profissional, pessoal e emocional. Mas, sabe de uma coisa? Também temos que aprender a reconhecer nossos limites. Depois de ter fibromialgia por anos, hoje eu sei que tenho que respeitar o meu tempo.Querida Bia, respeite o que você é. A decisão É sua. Abraços!(espero ter ajudado)
05/03/2009 às 00:00Bianca - diz:Meninas, obrigada!!!Essa reflexão coletiva faz crescer MUITO!!!!Tanto, que vou continuá-la no próximo post, que publico amanhã!E Giu, voltei lá no seu post e não vi meu comentário :( Tinha escrito te agradecendo a inspiração ;)muitos beijos agradecidos a todas vocês
31/03/2009 às 15:53Cristine Carvalho - diz:Bianca, estou adorando seu blog... me dá von, ade de participar de todos os post. A sua linguagem e o seu ponto de vista, e as vezes de dúvida, são muito reais e eu, particularmente, me identifico. Bom, essa escolha obrigatória para muitas mães, entre acopanhar o desenvolvimento dos filhos e investir em sua própria carreira profissional é árdua! Tento diariamente conciliar a presença do meu filho e a leitura de algum texto de minha especialização e minha cabeça não fica nem em um nem em outro. Ou seja, ficam os dois mal feitos. Com o Davi na escola à tarde, já no maternal, eu consigo ter um breve tempo meu, mas ainda assim, pouco tempo para tarefas que precisam de maior dedicação exclusiva. À noite, assim que ele dorme, parece ser a "minha hora" e muitas vezes varo a madrugada fazendo tudo (pesquisando, conversando, escrevendo, etc), o que me arrasa no dia seguinte quando acordo junto com ele. Assim, agora mais consciente de todo esse processo e seus resultados, tenho investido em deixá-lo na casa de avós e até mesmo com a minha ajudante diária (e de muita confiança) para minhas visitas à bibliotecas ou até mesmo para dar um passeio na praia, acompanhada de um livro, por ex. Descobri ser melhor investir em tempos de qualidade, ainda que poucos, do que um dia inteiro de "quebra-galhos". O Davi compreende que eu preciso ter meu tempo e que logo, logo eu chegarei pra brincar no tempo dele. Abs!
02/04/2009 às 03:30Bianca - diz:Cristine, participe de todos, por favor! É ótimo poder trocar e fico muito feliz por saber que você está gostando :) Acabo de escrever outro post sobre bebê e trabalho, antes de ler esse comentário. Vou pensar mais no que você falou sobre qualidade no tempo juntos... Talvez seja o caminho pra me tranquilizar numa escolha... Muito obrigada!
02/04/2009 às 03:30Bianca - diz:Cristine, participe de todos, por favor! É ótimo poder trocar e fico muito feliz por saber que você está gostando :) Acabo de escrever outro post sobre bebê e trabalho, antes de ler esse comentário. Vou pensar mais no que você falou sobre qualidade no tempo juntos... Talvez seja o caminho pra me tranquilizar numa escolha... Muito obrigada!
20/04/2009 às 17:13Dani - diz:Olá! Que bom ter uma mãe que fala das angústias de todas as outras... Os comentários também são ótimos! Queria deixar um pouco da minha experiência, tá? Até hj fico me sentindo triste por não eu e meu marido não termos tido ajuda de outras pessoas da família depois q meu filho nasceu, pois vejo que isso é muito comum e alivia muito o sufoco dos pais. Desde o começo, tivemos apenas ajudas esporádicas "de fora"; o dia a dia era a 3 mesmo! A sorte é q meu marido é nota 1000, mas ele também precisa trabalhar e durante a licença maternidade quase enlouqueci! Eu não imaginava o quanto de trabalho o meu bebezinho traria junto com ele heheheheeh... Como vc dise: "não estou reclamando", mas apenas desabafando que o começo foi muuuuuuuuuuuuuito difícil mesmo - conciliar os cuidados do bebê, as tarefas da casa, a vida social, a minha vida (essa parte foi a que acabou ficando de lado, é mole), meu marido... Mas sabe que foi até bom não ter ajuda de mãe ou sogra? Acaba dando autonomia ao casal! Às vezes a ajuda acaba até interferindo no casamento, invadindo um pouco, sabe???Agora ainda não está fácil, ele está com um aninho, mas já estamos nos organizando melhor. Eu tb fiquei dividida em ficar com ele em casa e voltar a trabalhar: não confiava que outra pessoa pudesse cuidar tão bem dele quanto eu. Acho q é coisa de mãe, né? Mas aconteceu q fiquei desempregada em dezembro até agora; com isso, fiquei cuidadando do pequeno em casa. Isso serviu de experiência para eu realmente dar o braço a torcer e pedir ajuda sim: mesmo desempregada, colocamos o pequeno em uma escolinha, meio período. Foi ótimo para os 3: eu estava ficando louca, meu marido nã
23/04/2009 às 20:59Dani - diz:Continuando... Meu marido não aguentava mais o meu chororô! Eu achava que não devia por o pequeno na escolinha, enquanto eu estava em casa desempregada, mas depois vi que não tem nada a ver! Agora vou começar a trabalhar "full time" e vou ficar mais tempo longe de casa! Depois posso contar como foi essa mudança! abraços!