Lixograma
16/10/2009 às 21:12
O povo não está conectado


As ruas de São Paulo e da maioria das cidades brasileiras, salvo raríssimas exceções, tornaram-se um verdadeiro depósito de lixo a céu aberto. Isso tudo conseqüência da atitude de cada um que circula pela cidade e vai se desfazendo de pequenos resíduos.

É impossível não reparar que as esquinas estão tomadas de lixo. Canteiros, guias, bueiros, calçadas, por onde quer que você passe verá a degradação da paisagem.   

Por quê isso acontece? Ouço sempre dizer que a cidade não tem lixeiras, que a prefeitura não oferece condições adequadas, que isso e que aquilo.

Aí um conhecido que chegou de Tókio me disse que lá não tem lixo nas ruas, nem lixeira.

A diferença é que os Japoneses aprendem que a rua é um lugar público, propriedade sua e dos outros e não se deve jogar lixo na casa dos outros. Lixo seu é problema e responsabilidade sua.

Aqui no Brasil, na hora em que acaba a água do copo, se não tiver uma lixeira no pé do cidadão, a culpa é da prefeitura e o copo vai pro chão sem culpa.

Essa filosofia dos muros, que separa o que é meu do que é seu, cria uma vala no cenário chamada rua. Esse espaço sem dono que ilusoriamente é colocado do lado de fora fica sujeito ao descaso e a falta de cuidado. Mas é nesse local sem dono que quando chove a água sobe - por conta do lixo - e entra na sua casa, molha os seus pés e afoga o seu carro.

Precisamos evoluir a noção do “nosso”, do uso comum, do pensamento transversal que é a alma da sustentabilidade.

Acabou o tempo do conceito que diz: “Sua liberdade acaba onde começa a liberdade do outro”.

Nossa liberdade deve entender a liberdade do outro e interagir nesse espaço comum, pensando no bem estar, no seu e no meu ambiente.

Erich Burger
@recicleiros
@eco_netto





Comentários

20/10/2009 às 15:12
Gustavo - diz:
Nosso país é extremamente paternalista e nossos cidadãos gostam disso, cagam para todos os lados e a culpa "é do governo"...E só teremos um governo melhor quando tivermos cidadãos melhores, ou melhor, cidadãos com essa tal consciência individual e senso coletivo, afinal todos nascem primeiro cidadãos e depois podem ir para o governo. E ninguem precisa inventar a roda, existem lugares onde tudo isso funciona MUITO MELHOR e muitos desses nossos cidadãos e nossos governantes tem acesso a esses lugares/modelos melhores, MAS QUANDO RETORNAM SE TORNAM OS MESMOS TAPADOS DE SEMPRE...boa sorte na dura batalha da educação e na mais dura batalha da "catação"! 1a vez que vejo o blog e achei bem bacana...

22/10/2009 às 11:28
Mara - diz:
Bem acredito que o governo deve se responsabilizar pela educação e a cada país caberá uma solução, claro que devenos nos basear e se pudermos seguir os bons exemplos...Bem se a culpa é do governo ou ñ, o meu lixo carrego na bolsa qdo ñ acho uma lixeira, tipo estando na correria ou qdo estava no onibus ou dentro do metro e tinha que sair correndo, simplesmente jogava o papel de bala na bolsa e pronto...enfim nem todos os cidadãos CAGAM para todos os lados Gustavo, mas adorei o seu comentário, claro que faz com que a gente reflita, ADOREI também o post muito legal...Parabéns!

23/10/2009 às 12:57
Sylvia - diz:
Eu concordo plenamente com o que foi dito nos posts anteriores, a colocação de lixeira na cidade é essencial, a Prefeitura coloca e as pessoas quebram e dai por diante. No meu pensar, as pessoas deveriam de colocar a mão na cabeça e ver que está prejudicando a si e aos outros. Um ditado bem antigo diz " a educação vem do berço", e não é isso que vemos por ai.

23/10/2009 às 21:59
Mari-Cps - diz:
Concordo com todos!Mas que nosso povo não tem educação ambiental isso é verdade! Muitos ainda se gabam de ter praticados atos de vandalismo contra as lixeiras...lamentável...

28/10/2009 às 21:31
Read Aued Girar - diz:
Educação é subproduto de leis. Se eu criança fizesse xixi na sala meu pai me diria: "isso não pode porque não é higiênico". E essa afirmação é uma lei. Apenas um exemplo raso de que educação resulta de leis. Se eu repetisse a infração, meu pai me puniria. Ele fiscalizou e impõs a penalidade. Assim é com tudo o que diz respeito à educaçao. Leis, fiscalização e punição aos ifratores. As leis do trânsito são a prova mais cabal.



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Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
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