O povo não está conectado

As ruas de São Paulo e da maioria das cidades brasileiras, salvo raríssimas exceções, tornaram-se um verdadeiro depósito de lixo a céu aberto. Isso tudo conseqüência da atitude de cada um que circula pela cidade e vai se desfazendo de pequenos resíduos.
É impossível não reparar que as esquinas estão tomadas de lixo. Canteiros, guias, bueiros, calçadas, por onde quer que você passe verá a degradação da paisagem.
Por quê isso acontece? Ouço sempre dizer que a cidade não tem lixeiras, que a prefeitura não oferece condições adequadas, que isso e que aquilo.
Aí um conhecido que chegou de Tókio me disse que lá não tem lixo nas ruas, nem lixeira.
A diferença é que os Japoneses aprendem que a rua é um lugar público, propriedade sua e dos outros e não se deve jogar lixo na casa dos outros. Lixo seu é problema e responsabilidade sua.
Aqui no Brasil, na hora em que acaba a água do copo, se não tiver uma lixeira no pé do cidadão, a culpa é da prefeitura e o copo vai pro chão sem culpa.
Essa filosofia dos muros, que separa o que é meu do que é seu, cria uma vala no cenário chamada rua. Esse espaço sem dono que ilusoriamente é colocado do lado de fora fica sujeito ao descaso e a falta de cuidado. Mas é nesse local sem dono que quando chove a água sobe - por conta do lixo - e entra na sua casa, molha os seus pés e afoga o seu carro.
Precisamos evoluir a noção do “nosso”, do uso comum, do pensamento transversal que é a alma da sustentabilidade.
Acabou o tempo do conceito que diz: “Sua liberdade acaba onde começa a liberdade do outro”.
Nossa liberdade deve entender a liberdade do outro e interagir nesse espaço comum, pensando no bem estar, no seu e no meu ambiente.
Erich Burger
@recicleiros
@eco_netto
Comentários
20/10/2009 às 15:12Gustavo - diz:Nosso país é extremamente paternalista e nossos cidadãos gostam disso, cagam para todos os lados e a culpa "é do governo"...E só teremos um governo melhor quando tivermos cidadãos melhores, ou melhor, cidadãos com essa tal consciência individual e senso coletivo, afinal todos nascem primeiro cidadãos e depois podem ir para o governo. E ninguem precisa inventar a roda, existem lugares onde tudo isso funciona MUITO MELHOR e muitos desses nossos cidadãos e nossos governantes tem acesso a esses lugares/modelos melhores, MAS QUANDO RETORNAM SE TORNAM OS MESMOS TAPADOS DE SEMPRE...boa sorte na dura batalha da educação e na mais dura batalha da "catação"! 1a vez que vejo o blog e achei bem bacana...
22/10/2009 às 11:28Mara - diz:Bem acredito que o governo deve se responsabilizar pela educação e a cada país caberá uma solução, claro que devenos nos basear e se pudermos seguir os bons exemplos...Bem se a culpa é do governo ou ñ, o meu lixo carrego na bolsa qdo ñ acho uma lixeira, tipo estando na correria ou qdo estava no onibus ou dentro do metro e tinha que sair correndo, simplesmente jogava o papel de bala na bolsa e pronto...enfim nem todos os cidadãos CAGAM para todos os lados Gustavo, mas adorei o seu comentário, claro que faz com que a gente reflita, ADOREI também o post muito legal...Parabéns!
23/10/2009 às 12:57Sylvia - diz:Eu concordo plenamente com o que foi dito nos posts anteriores, a colocação de lixeira na cidade é essencial, a Prefeitura coloca e as pessoas quebram e dai por diante. No meu pensar, as pessoas deveriam de colocar a mão na cabeça e ver que está prejudicando a si e aos outros. Um ditado bem antigo diz " a educação vem do berço", e não é isso que vemos por ai.
23/10/2009 às 21:59Mari-Cps - diz:Concordo com todos!Mas que nosso povo não tem educação ambiental isso é verdade! Muitos ainda se gabam de ter praticados atos de vandalismo contra as lixeiras...lamentável...
28/10/2009 às 21:31Read Aued Girar - diz:Educação é subproduto de leis. Se eu criança fizesse xixi na sala meu pai me diria: "isso não pode porque não é higiênico". E essa afirmação é uma lei. Apenas um exemplo raso de que educação resulta de leis. Se eu repetisse a infração, meu pai me puniria. Ele fiscalizou e impõs a penalidade. Assim é com tudo o que diz respeito à educaçao. Leis, fiscalização e punição aos ifratores. As leis do trânsito são a prova mais cabal.