Lixograma
10/07/2009 às 09:54
Interdependência do lixo


Nesta semana li uma reportagem muito interessante a respeito da interdependência, um assunto bem atual que tem tudo a ver com a sustentabilidade e me despertou a ligação deste tema com o lixo que descartamos.

Se pararmos pra pensar em toda a cadeia que os produtos percorrem até chegar em nossas casas - e mais importante quando saem de nossas casas - vamos perceber que existe um processo de interdependência.

Quando descartamos uma embalagem, ela pode ter basicamente dois destinos. O primeiro deles, mais usual e nada ecológico, é o caminho da lixeira. A embalagem segue misturada com todos os outros resíduos da casa para um dos aterros sanitários da cidade, durando muito mais tempo para se decompor do que você na terra. O outro destino, ainda pouco usual e extremamente importante, é o caminho da coleta seletiva. Quando a embalagem passa pela coleta, ela é levada para uma cooperativa de reciclagem e encaminhada para um reciclador, que irá transformá-la novamente em matéria-prima, voltando para a cadeia de produção e evitando que sejam utilizadas novos recursos naturais.

Como citei acima, se optarmos por mandar nosso lixo para os aterros sanitários, eles ficarão lá por anos e anos sem gerar qualquer tipo de benefício. Isso se o lixo for realmente para o aterro, pois é possível que ele “se perca por ai”, parando nas redes de esgoto, rios e oceanos, causando problemas urbanos e desequilíbrios ambientais.

No entanto, se mandarmos nossos resíduos para a reciclagem, além de livrarmos os aterros sanitários, pouparemos o uso de recursos (petróleo e minerais) na produção de novas embalagens e conseguiremos gerar renda para os catadores, cooperados e sucateiros, que em sua maioria vivem em condições subumanas.

Ainda nesta semana conversando com uma pessoa a respeito do descarte indevido de resíduos, ela comentou que no final do ano passado foi passar as férias na Ilha do Cardoso e encontrou uma embalagem de um produto chinês, jogada no mar. Não se tratava de produto importado que alguém consumiu e descartou incorretamente ali mesmo e sim de um produto que foi descartado do outro lado do oceano e pelas correntes marítimas chegou no Brasil. Ainda bem que esta embalagem foi retirada por ela, pois poderia ter parado no estomago de algum peixe ou espécie marinha, confundida com um delicioso pedaço de alimento.

Meu objetivo é mostrar que nossas atitudes influenciam diretamente algum ponto lá na frente. Se cada um de nós nos responsabilizarmos por nossas atitudes em relação ao descarte dos resíduos - isso inclui produtores, consumidores e órgãos públicos - poderemos viver com um pouco mais de equilíbrio.

[Por: Guilherme Salata - recicleiro]






Comentários

11/07/2009 às 08:48
Read Aued Guirar - diz:
É uma pena que este espaço não nos permite comentários mais extensos. Os argumentos contra os aterros sanitários são tantos que não cabem aqui. E não são nada repetitivos. Ao meu ver, o mais comum é que o aterro sanitário atrasa a implantação da reciclagem que por sua vez é a única saída inteligente, contemporânea e urgente para o tratamento dos resíduos. Nada substitue a reciclagem. E tem mais, o ponto de partida, sine qua non, para o consumo sustentável, também urgente, é a reciclagem. Mas o argumento mais forte contra o aterro sanitário e a favor da reciclagem é simplesmente, HIGIENE.



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Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
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