Lixograma
26/06/2009 às 23:07
Não jogue fora


As pessoas não têm noção, mesmo, ou então a comodidade é a maior inimiga da sustentabilidade. A campanha é contra os descartáveis.

Evitar o consumo de materiais descartáveis é uma realidade que passa muito - mas muito longe!!! - da cabeça da maioria esmagadora das pessoas. Os copos descartáveis são um dos exemplos mais impressionantes e recorrentes desse caso.

Todos os dias, milhões de pessoas consomem esse herói da vida curta, esse que vive menos do que uma mosca. A vida útil de um copo descartável é bizarramente curta.

Calculamos o tempo que um copo descartável usado para beber água dura até que seja lançado para dentro de uma lixeira. Pasmem: 13 segundos foi o tempo que levou para o copo ser retirado do display, cheio com água e esvaziado na garganta. Depois disso: lixo. E isso é o que ocorre no mundo todo a todo instante.

A razão na maioria das vezes é a conveniência, e esse é um problema enorme. Pessoas deixam de usar copos comuns, de vidro pela comodidade que os descartáveis representam.

Dia desses fui à festa de aniversário de um ano do filho de uma amiga. A festa acontecia no quintal da casa e os convidados não somavam mais de trinta pessoas. Mesmo assim, absolutamente tudo era descartável. Dos copos, de plástico duro - daqueles que ninguém quer reciclar - aos pratinhos, talheres e forminhas, nada era reutilizável.

Quando indicamos - através do nosso trabalho com a Recicleiros - a utilização de canecas e copos reutilizáveis nas empresas, escolas e outros projetos que desenvolvemos, muitas pessoas nos perguntam sobre o consumo de água para lavar as canecas, se isso não é mais prejudicial do que utilizar os descartáveis. A resposta é enfática: NÃO!

Um copo descartável consome água em sua fabricação, cerca de um copo do líquido para cada copo produzido. E para reciclar esse copo é consumida mais água. Some a isso o petróleo usado em sua fabricação, o lixo que esse copo representa e os combustíveis gastos para fazer esse copo chegar até você. Agora multiplique esse número pela quantidade de vezes que você bebe água todos os dias e pelos dias do ano.

Pronto! Espero que você seja mais um a dizer NÃO na próxima vez que for a uma padaria ou lanchonete e pedir uma bebida e lhe oferecerem copos plásticos.

Quanto mais pessoas disserem não, teremos menos plástico, menos lixo. Não é só a sacolinha de plástica que acaba com a natureza. Vamos parar de descartar. Apóie essa campanha.




Comentários

27/06/2009 às 13:27
Maris - diz:
Essa semana fui à livraria cultura e levei a minha ecobag que adquiri na própria livraria. Na hora de passar no caixa, retirei a sacola da bolsa e ouvi o comentário da caixa: nossa, isso é um milagre!!. Bom, muitas pessoas não internalizaram ainda essa atitude, ok! É chato pensar assim (que tem que haver incentivo), mas como uma campanha inicial, a livraria poderia oferecer descontos para os clientes que retornam com a sacola. Será que eles já tiveram o cuidado de fazer o levantamento de quantas sacolas foram vendidas e quantas retornam? Nos próprios caixas esse controle poderia ser feito. Enfim, a sugestão foi enviada para eles.

27/06/2009 às 13:36
Maris - diz:
O primeiro post não apareceu... Vou por partes que acho que ficou grande. Então, aqui em Brasília treino numa academia não convencional, quase um centro de saúde. Por essa característica temos uma atuação forte da vigilância sanitária e não é permitido o uso de bebedouros comuns. A solução é um filtro daqueles de parede e com isso o consumo de copos descartáveis é grande.

27/06/2009 às 13:39
Read Aued Guirar - diz:
Parar de descartar. Essa é a imagem mais bonita do ambientalismo. Nada de resíduos! Até o papel higiênico seria dispensável se fosse instalada uma torneirinha no vaso. Nenhum resíduo. Esse é o meu maior sonho de consumo. Ainda não cheguei a esse ponto, mas vou chegar. É para mim tão deprimente ver a cestinha de resíduos ao lado da pia... Cada vez que sou obrigado a abrir um saco plático, é como se rasgasse o meu coração. Como somos primitivos!Já pensou como seria incrível pegar uma embalagem de leite em pó vazia e dar para o cachorro comer? Ah... que sonho! Que saudade tenho da minha infância e do empório do japonês onde tudo o que se comprava vinha em saquinhos de papel, que minha mãe usava para secar a batata frita, depois com ele mesmo untar a grelha, quando não, limpar o forno. Essa manipulação do papel era o suficiente para reduzi-lo a uma bolinha que era dissolvida na água e dada para a roseira. Ou então, quando dissolvida na água com sabão, voltava a ser papel absorvente,e assim indefinidamente. Até a casca da laranja era usada para fazer bonequinhos e criar histórias infantis. Todo o resto de comida, que era pouco, ia para as galinhas na hora em que íamos buscar os ovos que elas botavam. Que vida divina sem a lata de lixo!

27/06/2009 às 13:51
Read Aued Guirar - diz:
Ainda que o descartável fosse indispensável, o que eu até... ainda... acho que é, como no caso de uma festa infantil, ou de uma garden party, o mínimo que se pode fazer é lavar os pratinhos e mandá-los para a recicladora. O "seu" Darci, presidente da Cooperativa de Reciclagem de Itapecerica da Serr, a CRIS, sempre me recebe com doçura e amizade quando entrego a ele material para reciclar. Reciclar, o trabalho que sustenta aquela gente toda, que antes de existir a CRIS, eram alcoólatras, drogados, sem teto, marginalizados nas ruas da cidade.

27/06/2009 às 13:53
Maris - diz:
Enfim, tento terminar o post pela última vez... não sei porque o ultimo post tá aparecendo, me desculpem. Vamos la.. fiz uma proposta pro treinador e pesquisei quanto custaria mandar fazer garrafinhas com a logo da academia. O resultado foi que o custo para fazer 200 garrafinhas é menor do que o gasto mensalmente com copos. Agora é entrar em contato com fornecedor, presentear os alunos e cobrar o uso! Mais uma vez me desculpem. Abraço.

03/07/2009 às 18:46
Angela Maria - diz:
Olá, desculpe,o vilão é o mau comportamento humano, não as sacolas ou copos ou o que for, que são pensados e fabricados para nos trazer alguma utilidade. Enquanto a indústria de plásticos se desenvolveu nos últimos 50 anos, o que fizeram os educadores neste e em outros países? Ensinaram que poderíamos todos ter uma vida confortável usando produtos descartáveis?Não é preciso ser PhD para não atirar lixo aleatoriamente,não é?Saudações!!

04/07/2009 às 10:51
Michael Ktisti - diz:
O erro não está no plástico descartável. O erro está na falta de políticas públicas sobre reciclagem. O que substituiria, no mundo atual, o copinho plástico? O copo de vidro e os tendões cortados por acidentes domésticos. Convenhamos! Comparar a praticidade do plástico com as outras opções é até covardia. Sou defensor ferrenho da reciclagem, mas não existem políticas que definam claramente o fluxo desses materiais do descarte até o seu retorno como uma nova embalagem. O consumidor simplesmente não sabe como manusear o produto descartado simplesmente por não existir nada que o oriente de forma concreta. Separar em casa para que? Para levar aonde? Vamos refletir um pouco sobre isso e tentar reduzir um pouco o nosso romantismo ambientalista sobre os malefícios do plástico. É a maior descoberta dos últimos 100 anos. É mais leve, atoxico, eficaz, seguro. Só falta definir (e não é difícil) o seu destino organizado após o uso.

04/07/2009 às 21:46
Erich - diz:
Michael, arrisco uma mudança na primeira frase do seu comentário: "O problema não está no plástico e sim no descartável"Várias coisas podem substituir o copinho descartável, só que mais importante do que isso é substituir a cultura do descartável.Se acha que o vidro é uma ameaça à segurança, opte pelo plástico e reutilize-o, uma duas, três ou mil vezes. Um copo plástico durável pode ser utilizado uma vida inteira e não quebra se cair no chão.Nossa batalha é contra a geração de lixo e o consumo desenfreado de recursos naturais. Já visitou um lixão? Uma cooperativa de reciclagem? Vai sentir na real que isso não é romantismo ambientalista e sim cultura e consciência.

20/08/2009 às 13:54
moab pereria da silva - diz:
começei me preocupar mas com o meio ambiente ao assistir programas voltado ao meio ambiente,as consequencias futuras que meus filhos e outros vao pagar se nós agora no presente nao e preocuparmos com o meio ambiente,e começar a reciclar para termos um futuro melhor. Estou estagiando numa construtora estou vendo a melhor opçao para evitar desperdício de copos descartáveis para nao gerar um impacto com os colaboradores são pessoas de baixo rendimento escolar,o meu objetivo é conscientiza-los..

04/09/2009 às 22:51
Marcus - diz:
Naum existe jogar fora, afinal o lixo vai ficar em algum local do planeta....e o pior de tudo é que geralmente naum sabemos onde

24/10/2009 às 17:36
flavio coutinho - diz:
Sou aluno do curso tecnológico de segurança do trabalho em salvador -BA Gostaria de saber como posso adquiri uma estação de reciclagem para colocar na empresa onde trabalho SENAI CIMATEC.

29/10/2009 às 13:28
Nayde Nogueira - diz:
Sou aluna da faculdade Mackenzie e preciso fazer um trabalho de ética sobre este tipo de ação social, queria saber se existe empresas em SP capital, que faça este tipo de reciclagem, mas que não esteja visando lucros financeiros e sim exclusivamente a ação de beneficiar o meio ambiente.obrigada pela atenção, aguardo resposta

10/11/2009 às 12:27
micéu bizarro - diz:
obrigado pela imformaçao.



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Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
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