Lixograma
19/06/2009 às 23:14
Problema internacional


Temos falado bastante sobre o destino dos resíduos que geramos todos os dias. Sabemos que só uma parte muito pequena é destinada para a reciclagem, graças as comunidades de catadores de recicláveis que dia-a-dia mantém um trabalho de formiga para tirar o seu sustento em troca da remoção desses materiais. A grande maioria do que sobra do nosso consumo acaba, infelizmente, nos aterros ou lixões e causam os problemas ambientais que já conhecemos: contamina o solo, polui o ar, etc...

Mesmo que o sistema funcione corretamente, o problema vem antes da destinação, vem no momento do consumo. E a conta é lógica, se consumirmos mais, teremos que destinar mais.

Estou há alguns uns dias nos Estados Unidos e é de impressionar como o ato de comprar é algo idolatrado nesse país. Aqui as pessoas não se preocupam com o seu consumo. Não estou querendo dizer que o Brasil é o país exemplo do consumo consciente nem das melhores ações ambientais. Mas aqui tudo é exagerado.

Logo que cheguei aqui fiquei na casa de uns amigos e no meu quarto havia um frigobar. Bom, dentro desse frigobar estavam 24 garrafinhas de água de 500ml cada. Ou seja, 12 litros de água que poderiam estar armazenados num recipiente maior, que usaria muito menos plástico para ser fabricado, menos plástico para ser descartado, muito menos chance de plástico parar no oceano. Em média essas 24 garrafinhas são consumidas em uma semana. Bom, faça as contas. São mais de 1200 garrafinhas por ano. Pois é... mas segundo eles é mais prático comprar as garrafinhas do que ficar enchendo uma ou duas todos os dias.

Também passei uns dias numa cidade litorânea na casa de um casal com dois filhos. Esses são exemplo do consumo desenfreado americano. O hobby do casal é sentar a noite no sofá da sala com notebook no colo e fazer compras. Compram todas as noites dezenas de produtos que realmente não precisam. O que acontece com tudo isso? Depois de pouco tempo vai tudo parar no porão da casa. Disseram que duas pessoas precisaram organizar tudo e catalogar os produtos que eles nem sabiam mais que possuiam. E seus filhos que convivem nesse ambiente também serão multiplicadores dessa cultura consumista.

Esses dois não são exemplos isolados, são cenas muito comuns de se ver por aqui.

O sistema de coleta seletiva local recolhe toda semana o papel, papelão, vidro, plástico e metal. Ainda assim apenas 24% de todo resíduo da região de Nova York é reciclado. Todo o resto acaba em aterro sanitário.

Se o cenário não mudar logo, é melhor trazer o Daniel Arenas ou o Daniel Beato pra cá pra, porque consumindo desse jeito, garrafinha e embalagem pra engarrafar não vai faltar.






Comentários

22/06/2009 às 09:42
Ana Beall - diz:
Bom dia! Gostaria de aproveitar esse post para recomendar um vídeo extremamente didático que aborda o tema "consumo consciente". O vídeo chama-se "A História das Coisas", sendo seu título original "Story of Stuff". Está disponível no youtube e foi feito por americanos, retratando exatamente as consequências do consumo desenfreado. Recomendo!

24/06/2009 às 20:38
Read Aued Guirar - diz:
Essa é a prova maior de que riqueza material nada tem a ver com civilização. Os índios são mais civilizados, ou pelo menos eram. Devíamos aprender com eles. O homem branco se perdeu no consumismo. As talhas de água, as moringas são coisa do passado, imaginem só. Tão bom beber água de um filtro de barro. Eu tenho o meu e não dispenso. Já se sabe que o consumo sustentável é a única forma de se preservar a vida digna em harmonia com a diversidade natural. E podem apostar, a educação para o consumo sustentável começa na cozinha e no banheiro. Enquanto não se impor uma lei que obrigue o consumidor à separação do lixo, e os produtores à coleta seletiva e reciclagem, esse quadro insustentável não mudará. O Homem está produzindo e consumindo mais do que o planeta suporta oferecer. O dinheiro é o mal.

25/06/2009 às 15:16
Ana Beall - diz:
Read, você viu o vídeo que mencionei acima? Acho que você vai gostar.

26/06/2009 às 13:12
Read Aued Guirar - diz:
Ana Beall. Fui lá pra ver, mas infelizmente minha conexão e meu computador não suportam o tamanho do vídeo. Moro na zona rural e não tenho banda larga. Mas guardei o link pra quando for a uma lan house na cidade. De qualquer forma muito obrigado pela dica.

26/06/2009 às 22:06
Erich Burger - diz:
Read, mande seu endereço para o meu e-mail que vamos postar uma cópia do documentário para você. Com certeza vai gostar.Abraço

09/07/2009 às 05:30
Nélio Soares - diz:
Prezada autora,Nao conheco esses autores que citou em seu texto, entretanto li na Revista Exame, de 17/06/2009, Ed 945, Ano 43, No. 11 (disponível para consulta em http://portalexame.abril.com.br/pme/) reportagem acerca da Sustentabilidade através do empreendedorismo, onde a reposrtagem relata o caso do empresário Tom Skazy, que deixou a famosa Universidade Princeton, nos EUA, para fundar sua própria fabricante de produtos reciclados Terra Cycle, em 2001. Sua empresa teve um faturamente de apenas 8 milhões de dólares em 2008, sendo que seus produtos - principalmente esterco de minhoca em garrafas de plástico usadas - ele inclusive compra das pessoas físicas cadastradas em ONGs, as embalagens descartadas que usa para fabricar seus produtos. Então, ao ler seu texto, pensei... Quiçá esse empresário não possa te ajudar com esse problema que presenciou aí nos EUA e ainda te remunerar por isso? Acredito que, mesmo que a bonificação oferecida seja simbólica, a sustentabilidade da atitude seja louvável!* OBS: Agradeço a Ed. Abril, como patrocinadora deste sítio, por me presentear com alguns exemplares gratuitos da revista acima mencionada, pois através dessa oportunidade posso agora então compartilhar com todos os leitores frequentadores do domínio essa ideia empreendedora.



Deixe aqui seu comentário:
Preencha os campos abaixo para deixar seu comentário no blog.

Seu nome:

Seu e-mail:




Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
Posts anteriores
06/11/2009
• Meio elástico
11/09/2009
• Do LCD à UTI
26/06/2009
• Não jogue fora
12/06/2009
• Engarrafamento
05/06/2009
• Não cabe mais!
02/05/2009
• Recicle ou mude
10/04/2009
• Da lama ao caos



Mapa do Site | Quem Somos | Política de Privacidade | Fale Conosco | RSS | Faça do Planeta Sustentável sua home page | Adicionar aos Favoritos
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados