Lixograma
29/05/2009 às 16:38
Segurando as pontas


Dia 31 de maio é o Dia Mundial sem Tabaco - dá pra ver como o fumo é algo que incomoda. E incomoda tanto que o nosso governador José Serra sancionou a Lei 577/2008 que proíbe o consumo dos cigarros e seus semelhantes em locais de uso coletivo - públicos e privados.

A lei só entra em vigor em agosto, após campanha de conscientização, com blitze educativa em 28 dos 645 municípios do estado e, como toda lei, prevê punição (pesada na reincidência) para os estabelecimentos que permitirem que seus clientes lancem suas prazerosas fumacinhas no ar. A idéia é uma maravilha, pois pode reduzir o consumo de um produto prejudicial a saúde pública (uma vez que, sair de seu ambiente para fumar, pode ser um incômodo), sem contar que, para quem não fuma, é detestável chegar em casa parecendo um cinzeiro ambulante.

Excelente. Pode resolver o problema. Mas dá impressão que pararam no meio do caminho de uma solução perfeita. Digo isso porque os fumantes continuarão existindo e quem fumava dentro, passa a fumar fora. A bituca (filtro do cigarro consumido) que estava do lado de dentro, agora vai ficar do lado de fora.

Dentro do bar, da boate, restaurante é fácil coleta-las, basta uma varrida rápida no final e tá tudo certo. Mas e as bitucas que terão mais presença nas ruas, quem recolhe?

Segundo a indústria do tabaco, 140 bilhões de cigarros são consumidos anualmente no Brasil e, agora, eles terão mais chances de cair nas sarjetas, serem levados pelas águas pluviais até as águas fluviais, posteriormente para as águas oceânicas e acabar na boca da primeira tartaruga que estiver passando. Para você ter idéia da quantidade de bitucas consumidas só no Brasil, anualmente, se as enfileirássemos, seria possível dar mais de 80 voltas na Terra.

Essa lei deveria ser acompanhada de outra lei, proibindo o descarte inadequado de bitucas ou, uma campanha de conscientização e instalação de infraestrutura para quem vai fumar do lado de fora não jogar nas vias, que também são de uso coletivo. Então, se você é fumante, cuidado para não prejudicar o meio ambiente.

Uma cena que é muito comum em shows é a quantidade de bitucas lançadas no chão. Um microlixo complicado de coletar e que aparece aos milhares depois de um evento com poucas horas de duração. Logo criamos uma solução para combater o problema, o Porta Bitucas® , que permite agrupar as pontas de cigarro para descarte, dando uma opção para que elas não parem no chão. Ótimo para quem agora vai fumar do lado de fora.

Outra dica, caso você encontre um fumante na rua, peça para quando ele apagar o cigarro, guardar a bituca consigo. É simples, com o cigarro já apagado aperte a ponta até o fumo cair, assim sobra apenas o filtro, que pode ser guardado no bolso. É meio nojento? Talvez, mas quem fumou que se responsabilize.

Chegue mais: www.ambon.com.br/pb

 




Comentários

01/06/2009 às 05:51
REad Aued Guirar - diz:
Seria de muito bom alvitre que parassem de anatemizar os fumantes. Fumante não é réu, é vítima. A dependência química da nicotina é das mais difíceis de curar. Não se ataca um problema sem equacioná-lo com precisão. E não se resolve uma equação deixando de computar qualquer de suas variáveis. Vamos crescer?

01/06/2009 às 14:59
Ana Beall - diz:
Discordo de vc Read. Sou fumante mas nao posso me fazer de vitima quando o assunto eh o lixo que produzo com esse mau habito.Ja passou da hora de assumirmos certas responsabilidades, nao acha?

02/06/2009 às 12:07
freude - diz:
to testando

02/06/2009 às 12:22
Dea - diz:
Queridos,O Blog tá mto fodddda!Amei! Os textos estão incrivéis..Graças a deus faço a minha parte na reciclagem e apoio qq manifestação GREEN.Recicle hj, amanhã e sempre, só assim conseguimos fazer um mundo diferente.Pra quem não sabe esses sãos meus irmãos gêmeos amanhã a trilogia se repete, é nosso niver..Parabéns para nós!!!!!Amo vcs!!!

02/06/2009 às 12:38
Guilherme Salata - diz:
Concordo com a Ana, não podemos deixar de lado nossa responsabilidade em relação as bitucas descartadas!Concordo com a Lei, praticamos um ato que não agrada a todos. Não podemos esquecer o meio ambiente, pois esse é o nosso meio também.

02/06/2009 às 17:37
Read Aued Guirar - diz:
Ana BeallVc não precisa se fazer de vítimia, vc é. É real. Todo dependente químico é vítima. No mínimo vítima de sua propria biologia. No caso do cigarro, o fumante é vítima três vezes, da própria biologia, das substâncias aditivas que os fabricantes de cigarro colocam e que acentuam a dependência, e do governo que por conta dos impostos faz vista grossa à composição do cigarro. O fumante de 40 anos atrás sabe disso perfeitamente. Há 40 anos, a composição do cigarro era bem outra. Não defendo quem fuma perto de outra pessoa, muito menos em lugares fechados. Sou a favor da lei anti-fumo. Mas defendo o fumante quando ele é visto como mau elemento, como réu, pelo fato de fumar. A lei inclusive contempla o fumante que quiser deixar de fumar oferecendo remédios e tratamento gratuitamente. Prova de que o fumante é vítima. Senão, seria caso de punição. Até a descriminalização da maconha já está na ordem do dia, e provoca menos dependência que o tabaco comum.

02/06/2009 às 17:51
Read Aued Guirar - diz:
Também acho que quem fuma deve guardar a bituca no bolso. Acho e pratico a boa conduta ambiental há trinta anos, até com cotonete. Separo o lixo, reciclo o seco e faço compostagem do úmido. E vocês? O que fazem com os resíduos?Não vou crucificá-los por jogarem tudo junto na lata do lixo. Não posso, pois se o próprio Governador do Estado de São Paulo é contra a reciclagem, ao ponto de mandar a SABESP - coisa que ela nunca fez na sua história - construir aterros sanitários por toda a América Latina. Aterros que vão durar trinta anos. Quem vai se dar ao trabalho de separar lixo nos próximos trinta anos com essa facilidade criminosa?

02/06/2009 às 18:09
Read Aued Guirar - diz:
Desculpe, só mais um pouquinho. Quem acha que não incomoda o Outro porque manda o lixo para o aterro sanitário está enganado. Incomoda, mais do que aquele que fuma. Porque se a fumaça do cigarro me incomoda ainda posso sair de perto, mas não posso fingir que não estão enterrando plástico, ainda que a 100 kms de distância, a poucos metros abaixo da superfície, que não estão produzindo chorume que vai contaminar as águas, e que não há gases tóxicos na atmosfera por causa disso, dos automóveis, das fábricas. Me incomoda saber que não posso tomar banho de sol porque o buraco na camada de ozônio não deixa, que a calota polar se derrete a olhos vistos, que o aquecimento global altera o clima e os humores, e muito mais. Repito, sou a favor da lei anti-fumo, mas não vou responsabilizar o fumante. Se calhar ainda me candidato a deputado federal pelos fumantes e construo uma academia de ginástica bem divertida e exclusiva para fumantes, com uma boate exclusiva para fumantes e uma praça de alimentação para fumantes com as melhores iguarias do Alex Atala e do Ferran Adriá. Quero ver se vcs não vão querer um cigarrinho passivo por lá. :)

02/06/2009 às 18:24
Read Aued Guirar - diz:
Esqueci de dizer que não preciso me candidatar a deputado federal para construir um shopping exclusivo para fumantes ou qualquer outro estabelecimento exclusivo para fumantes porque o Art. 6º inciso V da lei anti fumo recém aprovada me garante esse direito. E até é por conta desse direito que ninguém pode reclamar da lei. A lei não impede que os fumantes mantenham seu estilo de vida, só os impede de frequentar ambientes comuns aos não fumantes. E, Ana, para concluir, fumar não é hábito ou vício. É dependência química.

03/06/2009 às 17:32
Ana Beall - diz:
Read, concordo com tudo que falou. Quando disse que não posso me fazer me vítima, me referia única e exclusivamente ao descarte das bitucas de cigarro. Classificar o fumo como hábito, vício ou dependência química é indiferente pra mim, pois em nada muda a minha situação, são apenas nomes.Mas enfim... acho que concordamos em relação ao problema ambiental que as bitucas são e embora tenhamos uma infinidade de problemas pra resolver em relação à produção e destinação do lixo, como vc bem citou, neste post estamos falando de bitucas e eu, como fumante, concordei que devo, no mínimo, jogar as bitucas no lixo.Um abraço!

03/06/2009 às 17:42
Erich - diz:
É isso aí Read, liberdade e consciência. Liberdade e alternativas para que possamos exercitar nossa consciência e nossas opções de vida. Que mais pessoas pensem assim e lutem pelo que é justo. Temos o direito de preservar o planeta e precisamos de possibilidades para reciclar o que consumimos. Fora aterros, cadê os centros de triagem integrados?

03/06/2009 às 17:59
Rodrigo - diz:
Lendo os comentários acima vejo que esse espaço é ótimo para forúns de discussão. Temos muitos pontos interessantes citados acima que vale a pena uma maior atenção e quem sabe temas para os próximos posts. Sou fumante e contra a lei, pois vejo que ela é muito rigorosa e abrange estabelecimentos que investiram dinheiro em sistema de ar condicionado, representação de marcas de charutos e fumos. Esses lugares seriam próprios para degustação desses similares citados acima e o não fumante ao entrar no estabelecimento estaria ciente do que ocorre dentro do mesmo. Fora que os estabelecimenteos são particulares e seus respectivos donos tem que ter o seu livre arbítrio respeitado e decidir se querem fumantes frequentando sua casa e contribuindo para o lucro dos mesmos. Quanto ao descarte de bitucas, tenho a ciência que elas são prejudicias o nosso meio ambiente e faço a minha parte descartando-as no meu Porta-Bituca recebido em uma das ações da RECICLEIROS, após o mesmo estar cheio deposito os resíduos no lixo. Acho que cada um de nós fumantes ou não temos de ter a consciência que cada ato nosso reflete em uma reação, seja em pessoas ou meio ambiente. Isso é claro a lei de ação e reação, enquanto não tivermos isso em mente nada sutira efeito, por isso temos de criar uma base consciente daqui para frente e reeducar a todos em seus hábitos, para que assim tentarmos mudar esse panorama. O blog está excelente. Abraço a todos do vosso amigo Tireoide



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Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
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