Lixograma
15/05/2009 às 19:16
A verdade por trás da lixeira


Dia desses fui almoçar com o pessoal da Recicleiros num shopping center. Mais um desses que resolveu entrar na "pegada" de ser ecológico e adotou algumas medidas para fazer o seu marketing. Uma delas bem interessante: criou um ecoponto que uma vez por mês recebe resíduos recicláveis levados pelos clientes.

Na praça de alimentação colocaram um conjunto de lixeiras seletivas, bem famosa entre os shoppings que estão mais antenados. São iguais à aquelas antigas de lixo geral, mas cada uma recebe um tipo de material. Ou pelo menos deveria.

Foi aí que percebemos que de boas idéias o inferno tá cheio. E de empresa utilizando, o marketing verde pra se promover, também. Explico.

Quando fui colocar minha bandeja no suporte e jogar um restinho de arroz na lixeira de orgânicos, percebi que tinha um pouco mais do que orgânicos lá. Tinha guardanapo, restos de comida, toalha de papel, plástico de embalar talher, etc. Ou seja, de descarte seletivo, só o nome.

Só não fiquei espantado por que semanas antes, num famosíssimo shopping da zona sul de São Paulo, fiquei intrigado quando ví a pessoa da limpeza retirar um saco cheio de dentro da lixeira, que também é de coleta seletiva, e resolvi pedir pra ver as "docas" pra onde o lixo é encaminhado. Bom, quer saber o que tinha de seletivo na história?
Só alumínio.

Ok, não é nenhuma novidade saber que o maior interesse dos recicladores é o alumínio. Mas fazer marketing verde disponibilizando meia dúzia de lixeira pra coleta seletiva e depois mandar tudo pro aterro sanitário é no mínimo antiético. É como jogar o lixo pra debaixo do tapete.

Bom, tudo isso serve deixar atento consumidores que admiram projetos ambientais e para o marketing das empresas perceberem que ser sustentável vai além da boca da lixeira.

Se você é igual a gente, que presencia situações como essa e não aguenta ir embora sem tirar uma foto, não resista. Fotografe e publique na internet. Utilize o espaço do comentário pra colar o link da foto. Só assim a gente vai descobrir quantas verdades existem por trás de outros lugares.




Comentários

18/05/2009 às 11:34
Vladimir "Charles" Brown - diz:
Absurda a forma como os shoppings e empresas lidam com o lixo que muitos consumidores fazem questão de jogar fora de maneira seletiva. É jogar um balde de água fria nas melhores das intenções. Dito isso, concordo também que existe uma grande falta de preparo das pessoas em relação à forma como jogam fora seu lixo. Acho que o que falta é informação. As pessoas têm boa vontade, e ser ambientalmente responsável é algo que está na moda, mas por falta de conhecimento acabam pisando na bola, como é o caso de muitos frequentadores do shopping (não todos, claro). Deveria haver uma comunicação nos locais, explicitando de forma mais clara as diferenças entre os diversos tipos de lixo e como fazer a seleção corretamente. No fundo todo mundo quer contribuir para um planeta melhor, mesmo que seja para "estar na moda". É só orientar melhor, tanto os usuários do shopping quanto a diretoria dos estabelecimentos para que o processo corra de maneira mais eficiente e correta.

18/05/2009 às 16:39
Fabiana - diz:
O que estou vendo aqui atribuo também aos usuários do shopping que não jogam cada lixo no recipiente certo, afinal, os responsáveis por jogar o lixo separado são os clientes do restaurante e não seus funcionários, correto? se não, falta bom senso das duas partes. É claro que aquele shopping onde se recila somente as latinha é um absurdo total!!

21/05/2009 às 16:03
Maris - Brasília/DF - diz:
Oi Meninos!Passando pela primeira vez por aqui! Sabe que já passei por uma situação com coleta seletiva em shopping só que no meu caso foi um usuário que ficou espantado porque eu fui jogando cada resíduo no seu devido lugar! Fazer o que, né? Sucesso pra vocês. Bjoca.

21/05/2009 às 22:36
Read Aued Guirar - diz:
Então, lá vai. É insistir até morrer. Não dá mais para fingir que não está acontecendo. Como se pode esperar que os poluidores separem o lixo, no mínimo o orgânico do inorgânico, se HOJE a própria SABESP, uma das patrocinadoras deste site, está propondo a construção de aterros sanitários por todo o Estado de São Paulo, Brasil e Exterior? Aterros com trinta anos de vida útil significando mais trinta, além dos trinta atrasados, para que a coleta seletiva e reciclagem entrem na rota da boa civilização.

21/05/2009 às 22:40
Read Aued Guirar - diz:
Com todo o respeito... A manobra da SABESP em cumplicidade com o Governo do Estado foi assim:em julho de 2007 - o governo estadual envia o Projeto de Lei Complementar nº48/2007, que permite a alteração dos estatutos da SABESP de modo que ela possa construir aterros sanitários.Em dezembro de 2007 - o PLC48/2007 foi aprovado e SANCIONADA A LEI, autorizando a SABESP a "entrar no negócio bilionário do lixo" como comentou a Folha de S. Paulo no dia 17 de março último.Em junho de 2008 - interdição pela CETESB de 4 lixões de uma só vezEm julho de 2008 - a SABESP alterou seus estatutos. Em janeiro de 2009 - O Prefeito de Itapecerica da Serra, eleito Presidente do Conisud anuncia que vai propor ao Governo do Estado parceria para a retomada do lixão.Em 17 de março 2009 - o Governador do Estado autoriza protocolo de intenção entre a SABESP e a Prefeitura de Itapecerica da Serra, dando a partida ao "crime sócio ambiental", a primeira punhalada do esquema contra o meio ambiente e a sociedade de recicladores.

21/05/2009 às 22:44
Read Aued Guirar - diz:
E o pior. Essa articulação foi engendrada desde antes de 2007 e só veio a público em março de 2009. Tudo aconteceu no mais tenebroso sigilo. Ninguém, a menos dos adormecidos deputados da ALESP que inadvertidamente aprovaram o PLC48/2007, sem corrigir o disfarçado subterfúgio da lei, ninguém, nem a grande imprensa ficou sabendo. Ou, se soube silenciou censurada pelo poder econômico, alienando a comunidade preservacionista ambientalista, e com isso impedindo-a de ao menos discutir o projeto de lei e tentar aprimorá-lo.Não há porque construir aterros sanitários. Aterro sanitário é coisa do século passado neste século de logística reversa. E finalmente, disciplina ambiental se constrói como se constrói a educação nas escolas. Com aulas teórico-práticas (conceietos, leis e regras), exercícios, provas, notas que premiam com a aprovação e superação do grau de aprendizado, ou notas que punem com a reprovação e a repetição do ano escolar. Quer dizer, disciplina ambiental se constrói com LEIS, REGRAS, informação, fiscalização, premiação e punição inapelável aos infratores.

21/05/2009 às 22:49
Read Aued Guirar - diz:
Cheguei a suspeitar que o blog LIXOGRAMA estava censurando o meu comentário. O leitor deveria ser informado quanto ao tamanho permitido para cada comentário.Quero pedir desculpas por ter suspeitado e ao mesmo tempo, parabenizar o blog por permitir que vozes, que por vezes possam comprometer os patrocinadores, não são censuradas. PARABÉNS!

17/06/2009 às 17:09
werner bazilio - diz:
Realmente não precisamos de aterros sanitários e sim de politica ambiental para incentivar o programa Lixo Zero. Implantamos este sistema em nossa casa e hoje geramos apenas 03 kilos de lixo comum NÃO RECICLÁVEL,e temos orgulho de dizer que somos ecológicamente sustentável.O lixo orgânico é misturado com pó de serra para evitar mal cheiro e depois é enterrado no quintal para fazer adubo.



Deixe aqui seu comentário:
Preencha os campos abaixo para deixar seu comentário no blog.

Seu nome:

Seu e-mail:




Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
Posts anteriores
06/11/2009
• Meio elástico
11/09/2009
• Do LCD à UTI
26/06/2009
• Não jogue fora
12/06/2009
• Engarrafamento
05/06/2009
• Não cabe mais!
02/05/2009
• Recicle ou mude
10/04/2009
• Da lama ao caos



Mapa do Site | Quem Somos | Política de Privacidade | Fale Conosco | RSS | Faça do Planeta Sustentável sua home page | Adicionar aos Favoritos
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados