Recicle ou mude

A revista Exame publicou um artigo na edição de 22 de abril sobre uma nova resolução da prefeitura de São Paulo a respeito da reciclagem de resíduos plásticos de pós-consumo. Segundo a reportagem de Melina Costa a prefeitura espera acabar com o problema do excesso de lixo na cidade a partir de uma lei que obriga os fabricantes e distribuidores de produtos a dar um fim sustentável às embalagens plásticas de seus produtos. Nesse projeto que inicia em maio desse ano, metade do total de embalagens produzidas deverão ser resolvidas logo no primeiro ano, nos dois anos seguintes a meta passará para 75% e 90%, respectivamente. Obviamente, para a indústria, trata-se de uma medida inexeqüível, já que países como a Alemanha, com larga experiência em reciclagem de embalagens plásticas, menos de 40% são recicladas.
Eu acho que a medida é cabível e possível de ser atingida. Se encararmos o fato de uma maneira superficial e mantivermos o foco na meta da reciclagem das embalagens produzidas, muito provavelmente não sairemos do lugar, pois como citado no artigo, os custos e necessidades de instalação para atender a essa regulamentação são grandes (o que não é problema da população e nem da natureza).
Em contrapartida, se a nova lei servir para mostrar a dificuldade em solucionar a reciclagem de alguns resíduos específicos que em outros posts nós já classificamos como resíduos abomináveis, esse será um grande passo para a substituição destes por outros materiais, muitas vezes não plásticos e que já possuem sistemas de reciclagem em operação.
Fora isso as empresas, pensando globalmente, principio fundamental da sustentabilidade e agindo comunitariamente, poderiam rachar os custos da implantação de pólos para a reciclagem de materiais específicos, como vem fazendo a TetraPak com suas embalagens até pouco tempo abomináveis.
O fato é que, quando se trabalha em projetos de reciclagem, como esse que estamos voltando agora, realizado em Brasília, se percebe a enorme quantidade de resíduos sólidos, claramente recicláveis e/ou reaproveitáveis que acabam sendo enviados como rejeito para aterros e lixões simplesmente porque não há demanda por parte da indústria da reciclagem. Faz cair a ficha de que para se comercializar todo e qualquer produto as empresas devem, obrigatoriamente, apresentar projetos tanto de coleta (logística reversa) quanto de destinação (reciclagem).
No mesmo artigo, a Fiesp critica a medida e diz que espera substituir a lei por incentivo às cooperativas de catadores, devido principalmente aos custos que isso pode gerar. Certamente a Fiesp não está analisando custos de longo prazo, para o bolso e para o planeta. Certamente a Fiesp não está envolvida com a realidade da reciclagem para entender que nenhum incentivo a cooperativas vai solucionar os milhares de toneladas de rejeito (resíduo sólido não reciclável) envidos todos os dias para o meio ambiente.
Substituam, reciclem, deem um jeito. Senão, paguem o preço.
Comentários
06/05/2009 às 15:54Rafael - diz:Gostei muito da iniciativa paulista, espero que essa lei chegue em todo o país, fazendo uma análise a longo prazo e incentivando pesquisas percebe-se que o consumo consciente não é caro, é apenas uma mudança de paradigma, já existem materiais que podem ser utilizados ao invés de diversos outros que não possuem reciclagem, o que falta é vontade, mas com a nova lei, confio que mexendo no bolso essa vontade virá.
07/05/2009 às 02:14Read Aued Guirar - diz:A SABESP vai construir aterros sanitários com vida util de trinta anos. Significa mais trinta anos de atraso na coleta seletiva e reciclagem. A FIESP quer distribuir o onus que cabe aos mais poluidores entre os que menos poluem posicionando-se contra a logística reversa. A ambição do governador de São Paulo em ser presidente da República é tanta que, para conseguir o apoio da FIESP, inventou que a SABESP deve entrar no "negócio bilionário do lixo', como disse a Folha de S. Paulo. Nem Davi para enfrentar esse Golias. Só Deus pessoalmente.
12/05/2009 às 23:11Read Aued Guirar - diz:Eu aqui, de novo. Não consigo encontrar a Resolução da Prefeitura SP que é mencionada neste tópico, aliás, que deve ter sido mencionada pela jornalista Melina Costa. Preciso dessa resolução. É minha opinião que este evento, logística reversa na capital paulista, é um divisor de águas. Estou preparando um documento para ser apresentado na Assembléia Legislativa de São Paulo e o conteúdo dessa resolução, nº e data podem mudar o rumo dos acontecimentos - perdão, rumo não, paralisia dos acontecimentos no que se refere ao conceito poluidor-pagador, logística reversa, coleta seletiva, reciclagem, compostagem, cooperativas de recicladores, etc. Por favor, não me deixem na mão sem essa resolução. :) É urgente!
06/06/2009 às 18:07Ana Lúcia da C.D.Pellegrino - diz:Olha está matéria é bem legal!