Lixograma
26/03/2009 às 15:22
Reciclável? Parte II


Pra variar, nem tudo é o que parece ser.

Há um tempo, uma pulga foi parar atrás da minha orelha. Ela veio diretamente do lixo da minha casa. Lixo este que, até então, não era lixo, era resíduo reciclável, de primeira, bem separadinho. Pra mim e para outras 79 famílias que fazem parte do Edifício Arquipélago, na Vila Clementino, nossa dedicação diária em separar o material reciclável de acordo com os padrões ideais, limpo e selecionado, refletiriam diretamente no lado social da cadeia de reciclagem: as cooperativas de triagem formadas com mão-de-obra social e que têm sua remuneração diretamente relacionada com a produtividade do trabalho de separação dos resíduos recicláveis para comercialização.

Foi admirando a vista da janela frontal de meu apartamento, num final de tarde de sábado, que a tal da pulga veio parar onde ela está agora.

Quando os caminhões que fazem a coleta seletiva chegaram para retirar nosso precioso resíduo, vi algo que, de cara, me chamou a atenção. Os funcionários da empresa de coleta do bairro, a Eco Urbis, colocavam todo o tipo de resíduo que havia sido separado, no interior de um veículo compactador, daqueles que vemos comumente rodando pela cidade e amassando os sacos de lixo que são coletados. Nessa montanha de lixo – porque, a meu ver, a partir desse momento todo o resíduo já havia se transformado em lixo - ia de tudo, inclusive garrafas de vidro que somavam seus cacos ao resto dos materiais.

Achamos aquilo um absurdo e resolvemos ir atrás das pessoas que recebem esse material e outros provenientes do mesmo sistema de coleta. Na visita à cooperativa, corroboramos a tese que já parecia óbvia. Do ponto de vista dos cooperados, era melhor que esse material nem chegasse à central de triagem, tamanho problema que isso representa aos trabalhadores do local.

Não bastasse a tremenda falta de respeito com o trabalhador que lá está separando todo o nosso material, colaborando de forma efetiva com a preservação do meio ambiente, isso representa ainda uma ameaça à saúde de todos eles.

A pessoa responsável pela cooperativa nos relatou que o material chega contaminado com os mais diversos tipos de resíduos, desde resíduos da construção civil até um feto, que dia desses apareceu por lá.

Você consegue imaginar um caminhão de lixo compactado chegando para ser separado e reciclado?

É pra lá que está indo o meu lixo.
E o seu, você sabe pra onde vai?






Comentários

31/03/2009 às 13:48
contadoresp - diz:
Realmente, a participação de Toda a População será a nossa principal conquista!Em nosso Edificio conseguimos implantar a Coleta Seletiva, foi aos poucos mas eficiente.veja mais www.reciclagemnagaragem.blogspot.comSomos sim responsáveis pelos residuos que produzimos!!! E as empresas devem ser as primeiras a levantar esta bandeira, Coletando, ou disponibilizando postos de coleta. Assim que produziu o Pneu, fica com ele no final de sua vida util, Quem fez a caixa do leite, fica com a caixa do leite. Papelão, Papel, Vidro, MetalDepois de acabado o produto continua sendo Papelão, Papel, Vidro e Metal!! É óbvio!! Desde já agradeço por suas atitudes de preservação.abraços ecológicos a TODOS

31/03/2009 às 18:04
Priscila - diz:
Na minha cidade moramos em residencias particulares, e de certa maneira fica mais dificil concientizar a população. Mas o ponto é que a Prefeitura disponibiliza um caminhão para coletar reciclaveis "Lixo que não é Lixo", mas são raras as vezes que o vejo passar.E acho que o problema maior esta ai, as prefeituras de varias cidades projetam mas não cumprem e ai fica por conta da comunidade que sem incentivo nada fazem.

06/04/2009 às 19:03
WERNER BAZILIO - diz:
Conforme orientação dos meios de comunicação, implantamos o sistema de Coleta Seletiva e hoje reciclamos todo tipo de material reciclável, inclusive material orgânico e com isto geramos apenas 01 saco de lixo por semana e ainda temos nossa horta comunitária onde é depositado todo o material orgânico.

06/04/2009 às 19:07
WERNER BAZILIO - diz:
Conforme orientação dos meios de comunicação, implantamos o sistema de Coleta Seletiva e hoje reciclamos todo tipo de material reciclável, inclusive material orgânico e com isto geramos apenas 01 saco de lixo por semana e ainda temos nossa horta comunitária onde é depositado todo o material orgânico.

10/04/2009 às 12:30
Alê Almeida - diz:
Olá pessoal do Contadores de Histórias.Bom, o princípio é mais ou menos esse, quem produz o resíduo deveria se responsabilizar por todo o seu ciclo, inclusive no fim. É mais ou menos aquela história "Toma que o filho é teu".Fazer com que o resíduo volte ao seu fabricante e ser reutilizado, é o que fecharia o ciclo da reciclagem. No caso dos resíduos "abomináveis", forçaria o produtor a desenvolver tecnologias para que o resíduo seja reciclado. Parabéns pelo projeto,Grande abraço.



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Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
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