Lixograma
26/03/2009 às 15:14
Reciclável? - Parte I


Nem tudo o que é reciclável é reciclado. Como assim? Vou explicar.

Não basta imprimir nas embalagens aquele símbolo simpático com as três setinhas correndo umas atrás da outra. A verdade é que existe um grande abismo entre o que poderia e o que de fato é reciclado.

Partimos do princípio de que todo resíduo sólido que contém algo que pode ser transformado em matéria-prima novamente a partir de sua reciclagem é reciclado. Isso em tese está correto. Entretanto, o que acontece na vida real é bem diferente. O que determina se um resíduo vai ou não ser reciclado é o seu valor comercial, que obviamente é uma consequência da indústria.

Existe uma enormidade de resíduos gerados diariamente que, apesar de serem classificados como recicláveis, têm seu capítulo final nos aterros e lixões, junto com uma montanha de lixo que será, na melhor das hipóteses, soterrado, colocado pra debaixo do tapete. A esses, darei o nome de abomináveis.

Como não existe nenhum sistema de reciclagem que transforme os abomináveis em matéria-prima para fabricação de outros produtos, ninguém quer pagar nada por isso, justamente porque não há o que fazer com eles. Assim, quando esse resíduo chega a uma central de triagem, o que na cidade de São Paulo já é algo a se comemorar, eles vão direto para a caçamba de rejeito e de lá para o aterro, continuando a constituir um problema ambiental.

Alguns exemplos de resíduos abomináveis: embalagens de salgadinho, macarrão instantâneo, café e biscoitos.

Para os abomináveis, criamos um novo símbolo (acima), também com setinha, para agradar a todos. A diferença é que esse, diferente do outro, começa e acaba, sem formar um ciclo.

Isso serve para mostrar que uma conduta socioambiental é algo muito mais complexo do que tentar se livrar do problema. Responsabilidade social e ambiental está relacionada com respeito e comprometimento. É necessário envolvimento, enxergar o todo, entender a importância de mudar para melhorar. É hora de sentar para resolver o problema, de se criar um sistema de reciclagem de verdade ou começar substituindo as embalagens.






Comentários

31/03/2009 às 15:28
simone mello - diz:
Olá, lendo este texto sobre a coleta de reciclaveis prometida pela eco-urbis (SP) e não feita de forma adequada, me deixou com a seguinte pulga atras da orelha: até que ponto as pessoas que estão por tras disso - dessa falsa coleta seletiva - se acham imune às consequencias da devastação que o modo desumano de viver está causando ao nosso planeta. Hello poderosos, vocês estão na linha de fogo do aquecimento global.que venha a inteligencia global e sustentavel.

06/04/2009 às 16:14
Larissa Veloso - diz:
Ou a gente pode começar bem pequenininho, reclamando. Que tal ligar para o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) do salgadinho e perguntar porque eles não vendem em embalagens recicláveis? Dá pra aproveitar e perguntar porque eles não param de usar químicos na composição, mas nesse caso, a resposta pode ser bem mal-educada, hehe.

06/04/2009 às 19:15
WERNER BAZILIO - diz:
Pessoal,Boa Noite,Vamos nos unir e enviar projeto para o Senado aprovar a taxa do lixo apenas para quem não fizer a Coleta Seletiva e com isto incentivar a população mexendo no bolso do povo, só assim é que vamos conseguir reduzir o volume de lixo depositado no aterro sanitário. Podemos começar cobrando 50,00 mensal de quem não participar do programa Ambiental de Coleta Seletiva da Prefeitura.

27/07/2009 às 11:13
Julia - diz:
Eu não entendo porque salgadinho e biscoito não podem ter embalagens recicláveis. Tem alguma razão especial? Senão podemos começar a reclamar já!

11/11/2009 às 12:14
gibasouza - diz:
porra , Ronaldo.peitinho merda



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Lixograma

Por Erich Burger e
Alexandre Almeida

Lixo é o tema preferido de Erich Burger, administrador de empresas, e Alexandre Almeida, publicitário. Eles são Gêmeos, nasceram em três de junho, mas em anos distintos. Aqui, apresentam e discutem alternativas para a forma como a sociedade se relaciona com ele. Convictos de que as mudanças no atual cenário de degradação do planeta dependem de ações de impacto – apoiadas em muita informação e mobilização empresarial, governamental e comunitária, criaram a Recicleiros e a Ambon. Ambas são empresas sociais, inspiradas no modelo proposto por Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006): uma empresa social pode ser tão ou mais competitiva que uma convencional, só que com reflexo mais positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
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