
Nem tudo o que é reciclável é reciclado. Como assim? Vou explicar.
Não basta imprimir nas embalagens aquele símbolo simpático com as três setinhas correndo umas atrás da outra. A verdade é que existe um grande abismo entre o que poderia e o que de fato é reciclado.
Partimos do princípio de que todo resíduo sólido que contém algo que pode ser transformado em matéria-prima novamente a partir de sua reciclagem é reciclado. Isso em tese está correto. Entretanto, o que acontece na vida real é bem diferente. O que determina se um resíduo vai ou não ser reciclado é o seu valor comercial, que obviamente é uma consequência da indústria.
Existe uma enormidade de resíduos gerados diariamente que, apesar de serem classificados como recicláveis, têm seu capítulo final nos aterros e lixões, junto com uma montanha de lixo que será, na melhor das hipóteses, soterrado, colocado pra debaixo do tapete. A esses, darei o nome de abomináveis.
Como não existe nenhum sistema de reciclagem que transforme os abomináveis em matéria-prima para fabricação de outros produtos, ninguém quer pagar nada por isso, justamente porque não há o que fazer com eles. Assim, quando esse resíduo chega a uma central de triagem, o que na cidade de São Paulo já é algo a se comemorar, eles vão direto para a caçamba de rejeito e de lá para o aterro, continuando a constituir um problema ambiental.
Alguns exemplos de resíduos abomináveis: embalagens de salgadinho, macarrão instantâneo, café e biscoitos.
Para os abomináveis, criamos um novo símbolo (acima), também com setinha, para agradar a todos. A diferença é que esse, diferente do outro, começa e acaba, sem formar um ciclo.
Isso serve para mostrar que uma conduta socioambiental é algo muito mais complexo do que tentar se livrar do problema. Responsabilidade social e ambiental está relacionada com respeito e comprometimento. É necessário envolvimento, enxergar o todo, entender a importância de mudar para melhorar. É hora de sentar para resolver o problema, de se criar um sistema de reciclagem de verdade ou começar substituindo as embalagens.