Gestão do lixo na ecovila

Assunto básico, não? E, para quem mora numa ecovila, ainda mais, certo? Mas nem por isso o tema deixa de ser complicado, especialmente quando se trata de zona rural, desprovida do serviço municipal de coleta de lixo. E esse é o caso da Ecovila Clareando. A prefeitura não recolhe o lixo gerado pela comunidade. É preciso levar os resíduos até a cidade.
Antes, porém, o mais correto é separar os orgânicos dos recicláveis e não recicláveis. Ingenuamente, pensei que seria algo simples de fazer numa comunidade com intenção de ser um laboratório dos princípios e práticas da Agenda 21. Mas não, até porque só o fato de morar numa ecovila não faz de ninguém um ambientalista, ecologista, consumidor consciente ou outro termo do gênero. É preciso mudar hábitos e isso exige vontade, prática constante e persistência.
Para os orgânicos, ando fazendo campanha para a adoção de composteiras e minhocários domésticos. São soluções simples, de fácil manutenção e que garantem composto de boa qualidade para a horta, os pomares e as plantas das calçadas da ecovila. Como na permacultura, o que era problema vira solução: mais adubo e menos lixo.
Já os recicláveis precisam ser separados adequadamente e devem estar limpos para evitar bichos e a contaminação dos materiais. Daí, não tem jeito: cada um precisa estar consciente do problema que é gerar lixo sem ter gestão adequada. E é no dia a dia, a cada instante, que o desafio nos é apresentado. Não dá para negligenciar. Já simplificar é sempre bom. Então, num primeiro momento, não vamos nem pensar em exigir que a separação ocorra por tipo de material. Basta separar os orgânicos dos recicláveis.
Por enquanto, temos um amigo voluntário, o Zé Carlos, que se prontificou a levar os recicláveis para uma cooperativa em Barueri, onde ele mora atualmente. O lixo produzido pelas famílias tem sido encaminhado para lá a cada 15 dias. Ainda não temos a adesão de todos os moradores, é verdade. Mas espero reverter isso, com um diálogo suave e franco, em pouco tempo...
Dia desses, um casal de amigos que já mora na ecovila descobriu um local em Piracaia que recebe materiais recicláveis. Vamos pesquisar direitinho como é o trabalho dessa empresa (ou cooperativa, não sei bem) e checar o destino que dão aos resíduos, para ver se podemos diminuir o percurso dos recicláveis da ecovila - e, assim, resolver a questão localmente.
Com toda essa história, fico pensando no quanto estamos acostumados a empurrar nossas responsabilidades para terceiros. Na cidade, se o lixo fica na nossa porta o problema é da prefeitura. Depois que ele é levado embora, tudo parece resolvido – quando, na verdade, na maioria dos municípios brasileiros o lixo é apenas acumulado em lixões a céu aberto, sem qualquer licença ambiental, contaminando o solo e os lençóis freáticos.
Quando a infraestrutura não existe, no entanto, somos obrigados a tomar a frente da situação. Numa visão mais otimista, seria uma espécie de convite a uma atitude menos passiva, apática. No fundo, acho até bom que a prefeitura não recolha o lixo da ecovila. É um jeito de nos fazer refletir sobre o assunto. Do contrário, seria como dar descarga no banheiro: os resíduos somem como num passe de mágica e tudo parece limpo, lindo e resolvido. Sabemos que não é bem assim...
Foto: com a ajuda das amigas Aluá e Elioenai, a parede de garrafas recicladas na minha casa ficou linda sobre o telhado verde! Mais uma prova de que separar materiais recicláveis vale muuuuito...
Comentários
11/11/2009 às 00:29ana - diz:p/ meu condomínio