Gaiatos e Gaianos
08/07/2008 às 08:57
Mutirão de telhado verde


Terra, esterco, baldes, pás e muitas mãos para ajudar. Para construir o telhado verde da minha casa na ecovila Clareando, era preciso cobrir uma área de 110 m² com terra boa para plantio. O trabalho levaria dias e mais dias se fosse feito apenas por mim e meu companheiro Edílson, ou mesmo por dois ou três trabalhadores contratados. Por isso, resolvemos chamar os amigos da ecovila para passar um dia fazendo algo diferente.

Os “anfitriões” foram os primeiros a chegar. Arrumamos o espaço, separamos as ferramentas disponíveis, estudamos algumas estratégias para tornar o trabalho mais fácil e divertido para todos e, assim, às 8 da manhã, iniciamos a tarefa.

Logo depois, chegaram os amigos Mauro e Sueli, super dispostos a ajudar. Na seqüência vieram Kunio e Meiri (com a pequena Luciana), Sérgio, Ana e Márcio, Léia, Suzy e Andreas, e o trio Mariana (irmã querida), Marcão e a Luaninha.

As mulheres, com pás e enxadas nas mãos, assumiram a tarefa de preparar a mistura de terra e esterco e, depois, encher baldes e mais baldes. Os homens, por sua vez, pegaram o trabalho mais pesado: carregar os baldes escada acima e despejá-los no telhado.

No começo, manejar o esterco, por exemplo, incomodou algumas pessoas. Mas, mais à frente, foi motivo de descontração geral. E a adubação da terra contou ainda com um "charme" a mais. Levamos duas composteiras da casa de São Paulo, com o nosso lixo orgânico já transfomado em super adubo e incorporamos à terra. Quem diria que o nosso lixo viraria telhado...

Bom, para não cansar ninguém, o revezamento de atividades aconteceu naturalmente. Tanto que algumas horas depois do início do mutirão, o grupo encontrou seu ritmo e o trabalho começou a render mais e a ficar cada vez mais divertido.

A pausa para o almoço foi outro momento pra lá de especial. Cada um levou um prato e a mesa, montada sob o jambolão da Casa Clara (que funciona hoje como uma espécie de sede da ecovila), ficou linda. Edílson aproveitou a deixa para agradecer, em meu nome também, todos os que estavam ali, doando muito trabalho e deixando uma energia boa para a nossa casa...Pessoal, mais uma vez, muuuuuuuito obrigada!!! 

À tarde, voltamos ao telhado. Queríamos terminar mais uma camada de terra. Mas o dia passou rápido demais e, mesmo com todo o nosso pique, não deu para concluir tudo. Oba! Assim temos um bom pretexto para reunir o pessoal de novo e passar mais um dia delicioso sob o sol do inverno e o calor dos amigos...

Assim que terminarmos essa etapa, a terra ficará curtindo no telhado por um tempo, até o começo da temporada de chuvas, quando faremos o plantio de grama e flores. Aí, é claro, convocaremos um novo mutirão - desta vez, de jardinagem...

P.S. 1: como escrevi no post anterior, o mutirão serviu também para testar se a tal green gym funciona em trabalhos como esse. Tá mais do que comprovado!

P.S. 2: para saber mais detalhes sobre telhado verde, dê uma olhadinha no post que publiquei sobre o assunto: Telhado ou jardim?!






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Por Giuliana
Capello

Giuliana Capello tem 31 anos, é jornalista e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. Escreve sobre construção sustentável para as revistas Arquitetura & Construção e CASA CLAUDIA. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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