
O terreno, bem inclinado, sofreu um pequenísimo corte, feito a quatro mãos, sem máquinas, para não agredir mais do que o estritamente necessário.
Ao longo de mais de um ano, acompanhamos de perto o nascimento da casa. Não queríamos que ela “destoasse” na paisagem. Afinal, trata-se de uma ecovila, que tem uma proposta diferente de morada. Uma casa em que é possível viver bem e em harmonia com a natureza. Ah, sim, e com custos baixos também, para não ser privilégio de poucos.
Basicamente, a casa é um quadrado com sala e cozinha integrados, mais dois quartos com banheiro (sendo um compostável – veja post sobre o assunto), que servem de piso para o mezanino onde teremos espaço para um escritório ou ateliê, além do canto para os amigos, é claro.
A planta é super simples e foi pensada de acordo com princípios da Permacultura. Tiramos proveito da inclinação do terreno para as ligações hidráulicas, que serão feitas quase todas sem bomba alguma, apenas com a ajuda da gravidade. A face norte, mais quente, receberá o coletor solar para aquecer a água do chuveiro no banheiro compostável (que garantirá adubo para boa parte do jardim).
As paredes externas serão de adobe, feitos na própria obra. Já as internas, de pau-a-pique. Tudo erguido em mutirão, com os amigos. Lembra do filme “A Marvada Carne”, que tem aquela cena linda do pessoal construindo a casa para os recém-casados? É mais ou menos por aí, com direito a festa, música caipira e gente “suja” de terra, feliz.
Enquanto os mutirões não começam, estamos curtindo as plantinhas que já temos no terreno. O abacate que nos alimentou virou uma mudinha linda de árvore, crescendo próximo a um círculo de pedras que servirá para reunir os amigos nas noites estreladas.
Canteiros em desnível foram erguidos por mim e pelo meu companheiro em alguns finais de semana. O resultado do trabalho, que deixou calos em nossas mãos, hoje abriga flores coloridas e deu outra cara à expressão “canteiro de obra”.
E é assim que, de pouquinho em pouquinho, dia após dia, estamos construindo um sonho de verdade. Que ainda não tem paredes nem portas e que, justamente por isso, não tem fronteiras nem limites, do jeitinho do horizonte que avistaremos da janela do nosso quarto. E você, também tem sua história para contar?