Gaiatos e Gaianos
24/06/2008 às 15:53
Minha casa na ecovila


Fundação, estrutura e cobertura. Nada de paredes. Foi assim que encomendamos a casa. Só contratamos mão-de-obra para botar o esqueleto em pé, com madeira de reflorestamento e telhado vivo. Quase nada de concreto. Seu Mauricio, mineiro que só ele, foi quem cuidou dessa etapa da construção.

O terreno, bem inclinado, sofreu um pequenísimo corte, feito a quatro mãos, sem máquinas, para não agredir mais do que o estritamente necessário.

Ao longo de mais de um ano, acompanhamos de perto o nascimento da casa. Não queríamos que ela “destoasse” na paisagem. Afinal, trata-se de uma ecovila, que tem uma proposta diferente de morada. Uma casa em que é possível viver bem e em harmonia com a natureza. Ah, sim, e com custos baixos também, para não ser privilégio de poucos.

Basicamente, a casa é um quadrado com sala e cozinha integrados, mais dois quartos com banheiro (sendo um compostável – veja post sobre o assunto), que servem de piso para o mezanino onde teremos espaço para um escritório ou ateliê, além do canto para os amigos, é claro.

A planta é super simples e foi pensada de acordo com princípios da Permacultura. Tiramos proveito da inclinação do terreno para as ligações hidráulicas, que serão feitas quase todas sem bomba alguma, apenas com a ajuda da gravidade. A face norte, mais quente, receberá o coletor solar para aquecer a água do chuveiro no banheiro compostável (que garantirá adubo para boa parte do jardim). 

As paredes externas serão de adobe, feitos na própria obra. Já as internas, de pau-a-pique. Tudo erguido em mutirão, com os amigos. Lembra do filme “A Marvada Carne”, que tem aquela cena linda do pessoal construindo a casa para os recém-casados? É mais ou menos por aí, com direito a festa, música caipira e gente “suja” de terra, feliz.

Enquanto os mutirões não começam, estamos curtindo as plantinhas que já temos no terreno. O abacate que nos alimentou virou uma mudinha linda de árvore, crescendo próximo a um círculo de pedras que servirá para reunir os amigos nas noites estreladas.

Canteiros em desnível foram erguidos por mim e pelo meu companheiro em alguns finais de semana. O resultado do trabalho, que deixou calos em nossas mãos, hoje abriga flores coloridas e deu outra cara à expressão “canteiro de obra”.

E é assim que, de pouquinho em pouquinho, dia após dia, estamos construindo um sonho de verdade. Que ainda não tem paredes nem portas e que, justamente por isso, não tem fronteiras nem limites, do jeitinho do horizonte que avistaremos da janela do nosso quarto. E você, também tem sua história para contar?






Comentários

29/07/2009 às 12:24
bianca - diz:
Independente do projeto, há um novo sistema construtivo no mercado, que vale a pena conhecer.Simple e mais inteligente que tudo o que já se fez. Formas de plástico e concreto celular. Traz `a construção, a filosofia da indústria, em forma de linha de montagem.veja em www.tecwall.com.br



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Gaiatos e
Gaianos


Por Giuliana
Capello

Giuliana Capello tem 31 anos, é jornalista e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. Escreve sobre construção sustentável para as revistas Arquitetura & Construção e CASA CLAUDIA. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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