Gaiatos e Gaianos
30/10/2007 ÀS 08:49
O dia em que adotei a Sofia


Era um sábado de manhã quando cheguei no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), com a minha mãe, para adotar um cachorro. Sabia que não seria fácil. No canil, mais de 50 cães de diferentes raças e tamanhos pareciam implorar: “me leva pra casa”.

Por alguns minutos, sentei e chorei baixinho, sem saber o que fazer. Decidida, porém, a adotar um daqueles animais, voltei a circular pelo local. Até que um filhote de vira-lata botou a pata para fora da grade que o separava do mundo e puxou a minha perna. Olhei para aquele bichinho fofo (como todo filhote sabe ser) e pensei: é você, claro!

Chamei o veterinário e pedi para pegar o cãozinho no colo. Era uma fêmea, linda.
- Quer fazer um test drive? - perguntou o funcionário de jaleco branco.
- E como é isso? - falei.
- Vamos até o pátio e lá você solta o filhote para observar o comportamento dele.

Como criança com brinquedo novo, fiquei encantada com aquela criaturinha de patas longas que pulava e corria como um coelho.
- Quero levá-la comigo. O que eu preciso fazer?
- Moça, esse cachorro vai ficar grande... Você não prefere ver um menorzinho?
- Não, não. É ela mesmo que eu quero adotar.

Dito e feito. Paguei a taxa de R$ 11,10 (sim, foi só isso mesmo!), preenchi a documentação para o RG Animal (RGA), assinei o termo de responsabilidade pela “guarda” do bichinho e fui embora com a Sofia no colo, feliz da vida.

Naquele dia, parecia que a coisa mais simples e prazerosa do mundo era adotar um animal de rua. E, de fato, é uma delícia saber que eu dei vida nova a um bichinho que tinha pouca chance de viver bem.

Ela saiu de lá com menos de três meses de vida, já castrada, vacinada e vermifugada. E, desde então, a Sofia tem sido uma super amiga, companheira de todas as horas. Ok, confesso que no começo ela deu um trabalhão.

Ainda na casa da minha mãe, cinco anos atrás, ela comeu várias meias, destruiu meus óculos novos, fez xixi na almofada preferida da minha mãe e assustou metade do prédio com seu latido - que denuncia alguma ascendência com pastor alemão. Mas nada de mais.

Quando eu me casei, a Sofia fez parte do pacote. O Edilson, habituado a morar sozinho há tempos, teve que se acostumar com uma cachorra que pedia atenção o dia inteiro, pegava a guia na boca quando queria passear, e o prato, sempre que tinha fome.

Para sorte de todos, o período de adaptação foi superado sem traumas (eu acho). Tivemos até momentos de pais corujas, quando a Sofia pegou 2o. lugar no mega-super-ultra concurso Miss Vira-Lata da Aclimação...

Foi um evento e tanto. E explico o porquê de eu ter topado esse “mico” de ser mãe de miss. O concurso era só um pretexto para fazer uma campanha no bairro de adoção de animais de rua. Todo dono de vira-lata tinha que pegar o microfone e contar para o público sua história com seu vira-lata.

Panfletariamente e com prazer, falei do CCZ e de como é fácil adotar um animal de rua. Passei o telefone do lugar e as dicas de como chegar lá. (Detesto servir de out door ambulante, fazendo propaganda de marca de roupa, sapato ou banda de rock, mas por uma boa causa eu boto até adesivo no carro...)

Falando nisso, aí vai:

Como adotar um cão ou gato no CCZ:

Local: Rua Santa Eulália, 86, Santana, São Paulo.
Telefone: 6224-5500
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h; sábados, das 9 às 15h
O que levar: documentos pessoais (RG, CPF e comprovante de endereço)
Taxa para a adoção: R$ 13,25 + R$ 3,60 (p/ o RGA)
Mais informações: consulte o site do CCZ


Outros sites de adoção:

Quero um Bicho: http://www.queroumbicho.com.br/

Tribuna Animal: http://www.tribunaanimal.com/sites_de_adocao.htm




Gaiatos e
Gaianos


Por Giuliana
Capello

Giuliana Capello tem 31 anos, é jornalista e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. Escreve sobre construção sustentável para as revistas Arquitetura & Construção e CASA CLAUDIA. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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