Mosaico de vidros usados

Qual a diferença entre um vidro novo e um usado? A menos que ela tenha sido riscada ou pintada, a peça de segunda mão é idêntica àquelas que saem zeradas de fábrica. O vidro, como se sabe, é 100% reciclável, mas o processo de reciclagem envolve consumo de energia, por exemplo. Assim, reaproveitar e dar vida nova ao velho é sempre melhor do que comprar o material reciclado. E foi exatamente isso que procurei fazer na minha casa na ecovila.
Lá, na rua mais alta da ecovila - a uns 1.100 metros de altitude - tenho a bênção de ter, em toda a face leste da casa, uma vista maravilhosa para as montanhas e represas da região de Piracaia e Joanópolis. O sol nasce por entre os morros, numa pintura natural que amanhece única a cada nova alvorada. A lua também pode ser adorada subindo ao céu nas noites claras, bem como os raios anunciando a chuva e as nuvens que cobrem por completo as montanhas nas manhãs frias.
Não dava para simplesmente subir paredes e perder essa integração deliciosa com a natureza e todo o bem-estar que ela nos proporciona. A opção, então, foi priorizar a instalação de vidros usados, que são ecologicamente mais bacanas, além de serem mais baratos também. Mas como fazer isso se não dá para encomendar peças sob medida?
Bom, tínhamos as dimensões de cada vão entre as colunas de madeira que queríamos preencher com os painéis de vidro. Com esses números, fomos até uma das lojas de São Paulo especializadas em vidros usados. Ah, sim, tínhamos também uma outra medida a considerar: como queríamos levar tudo no nosso carro e evitar o custo extra do frete até a ecovila, o tamanho da caçamba do carro equivalia à medida máxima de painel que poderíamos adquirir.
Para preencher os vãos, foi preciso “brincar” com um pouco de matemática, estudar maneiras de encaixar as peças de diferentes tamanhos. Os cálculos são sempre e apenas uma estimativa, pois ainda seria preciso considerar os postes de madeira que serviriam de estrutura para os vidros de 8 e 10 mm de espessura (para suportar os ventos fortes da região, que têm na direção leste-oeste seu principal trajeto).
Já em casa, usamos uma escala de 1:10 para recortar quadrados e retângulos de papel na proporção dos vidros comprados. (Um vidro de 80 x 80 cm, por exemplo, virou um quadrado de 8 x 8 cm.) E assim, na base da tentativa e erro mesmo, fomos montando o quebra-cabeça, até conseguirmos a melhor posição para as peças. Os espaços que sobrassem sem vidro ganhariam, conforme combinado com o marceneiro, trama de bambu e massa de terra para pau-a-pique.
Montado o mosaico, levamos nossa “arte em papel” para a obra, com os vidros numerados, e explicamos para o marceneiro o que havíamos pensado, na expectativa de que ele dissesse: “ok, posso cuidar disso”. E não é que foi isso que aconteceu?!? Pois é, depois do meu último post mal-humorado (ou “T-P-M-ico”, talvez), devo confessar que, algumas vezes, o pessoal da obra acerta, se diverte com as nossas maluquices e faz tudo direitinho... Prova disso é o resultado dos três vãos já prontos. Agora só falta mais um, que terá (além de alguns vidros) uma porta para acessar o deck da casa.
Em tempo: o custo total dos vidros ficou cerca de 50 ou 60% menor do que se tivéssemos comprado tudo novo. Por outro lado, a mão-de-obra não foi barata, já que é tudo bem artesanal... Mas ainda assim prefiro pagar para o pedreiro da cidade (que, com a minha obra, pôde ficar mais perto da família e até dispensou um trabalho numa grande construtora da capital) a ter de dar dinheiro a um grande fabricante de vidros... Nada contra os grandes, é só uma preferência descarada pela lógica dos 3 ‘P’s: pouco, pequeno e perto...
Comentários
04/02/2009 às 00:00Giuliana Capello - diz:Oi, Cabelo! Bom encontrá-lo por aqui! Tudo bem? É, a casa está ficando bem interessante mesmo... Já vale a pena uma nova visita. Reforço uma vez mais que vocês serão sempre muito bem-vindos! Obrigada pela força, um beijo grande.
04/02/2009 às 00:00Cabelo. - diz:Oi Giuliana!
Tudo bom?
A casa está ficando linda demais!
Os vidros deram um toque mágico!
Estes dias estava falando sobre ela a um amigo e ele ficou de cara depois que viu as fotos aqui no seu blog. É engraçado a reação das pessoas depois de verem que toda essa "maluquice" de bioconstrução pode dar realmente certo.
Beijo pra todos aí da Vila!
Muita luz!
09/02/2009 às 00:00Jorge Barbosa - diz:Olá Giuliana, a sua casa está ficando muito bacana e com um astral prá lá de bom,parabéns! Estou terminando Pós em gestão ambiental e a minha monografia é sobre Ecovila, adotei a Clareando como estudo de caso, estive lá 2 vezes e participei de um encontro c/o Sr. Hiroshi e a Sandra, gostaria de saber se posso divulgar algumas fotos da sua casa como exemplo de boas práticas na ecovila. Ecoabraço!
09/02/2009 às 00:00Sergio - diz:Oi Giuliana,
Que baita aventura voce se meteu, hein?!?!?! vai dá prá contar prôs netinhos que voce foi precursora nesse lance de bio-construção.
A casa tá bonita e tem uma personalidade elegante, parabéns!
E, uma vez mais, obrigado pelo tempo e pela aula de ontem.
Beijo,Sérgio Alves, Campinas SP.
10/02/2009 às 00:00Giuliana - diz:Oi, Jorge, acho ótimo que o tema comece a entrar nas escolas e universidades, porque só assim, com "aprovação acadêmica", é que o assunto vai ganhar mais credibilidade e vencer o preconceito daqueles que dizem ser utopia, coisa de hippie ou de gente descolada da realidade... Os princípios e práticas das ecovilas são realmente inspiradores e têm tudo para ganhar mais e mais adeptos a cada ano. Sobre a minha casa, pode divulgar na monografia, sim, claro. E se precisar de mais informações, entre em contato. Se eu puder ajudá-lo, farei com o maior prazer. Boa sorte pra vc, um abraço ecovileiro.
10/02/2009 às 00:00Jorge - diz:Oi, Giuliana, obrigado por ter respondido, fiquei muito feliz. Qdo vc for na Clareando me avisa pelo e-mail, gostaria de falar a respeito, tirar algumas dúvidas e principalmente participar e aprender num mutirão. Eu fiz o curso de bioconstrução c/o pessoal do Ibiosfera, foi muito legal, participei tbém de uma oficina de terra no CES, foi a Mônica quem me forneceu o contato do Sr. Hiroshi. Até, Ecoabraço.
16/02/2009 às 00:00Jorge - diz:Oi, Giuliana! tudo bem?
Eu estarei em Atibaia no período do carnaval e pretendo passar na Clareando para ver o estágio atual das construções e alinhavar mais alguns detalhes da ecovila. Caso você vá para lá, por favor, me dá um alô pelo e-mail.Ecoabraço.
07/06/2009 às 20:21martha - diz:ola!! encontrei seu site por acaso, estou pesquisando sobre o uso ecologico do vidro em construçoes. estamos em porto alegre iniciando um projeto de reciclagem de vidro e busco mais informaçoes - bioconstruçao vidro reciclado- , será que vc tem algum site ou livros pra indicar??obrigada pela atençao e muito boa sorte na construçao da sua casa. ta ficando linda... abraço de luzmartha
05/07/2009 às 12:33Pinheiro - diz:Necessito das seguintes chapas de vidro de preferencia 10mm01 chapa de 1,20 X 0,8003 chapas de 1,20 mais ou menos com mais ou menos X 0,72 ou 0,8001 chapa entre 1,20 até 1,30 mais ou menos X 2,16 até 2,20uma porta dupla entre (largura total) 2,85 X 2,16 mais ou menos.01 chapa entre 1,53 à 1,60 X 0,6001 chapa 1,20 x 2,62 mais ou menos04 chapas num total de 3,00 metros, incluindo uma porta dupla, altura até 2,50 mais ou menos.01 chapa de 2,10 até 2,30 X 2,00(pode ser duas chapas que perfaçam esse espaço. fones: (11) 37150008 (11) 94891279