
Sei de vários casos de pais que botam os filhos em escolas antroposóficas, por exemplo, que ensinam a plantar, fazer pão, bordar, dançar e ter mais autonomia no mundo desde a infância. Lá, elas aprendem a fazer seus próprios brinquedos, a ver graça em passar horas cuidando da horta da escola e a se divertir com atividades que não envolvem brinquedos eletrônicos ou bugigangas de plástico.
Mas, em casa, essas mesmas crianças quase não vêem os pais, que continuam com agendas de executivos (estressados) de multinacional, sem tempo para curtir a infância dos pequenos, brigando para definir quem terá de desmarcar uma reunião para acompanhar a peça de teatro do mais novo, na semana que vem. Para compensar a falta de tempo (e atenção), os pais capricham no pacote da tv por assinatura, deixam o computador dentro do quarto das crianças e driblam a manha infantil comprando tudo o que as crianças pedem.
Nessas famílias, mãe e pai vivem no shopping center, compram roupas como quem compra pão, trocam o celular a cada dois meses, fazem cara de prazer comendo Mc Donald’s, vivem mudando a decoração da casa e sonham o tempo todo com um carro novo. Assim fica difícil mesmo! Cadê o exemplo?
Por outro lado, vejo vários amigos se empenhando na educação dos filhos, preferindo o bem-estar deles a uma promoção na empresa que reduziria o tempo dedicado a eles. E, nessa onda, muitos pais e mães criam coragem para botar em prática o discurso bonito de quem caminha para reduzir a própria pegada ecológica.
Uma amiga está usando basicamente fraldas de pano na filha de menos de um ano. Como se fazia antigamente mesmo, só que com um desenho mais moderno, que facilita o tira-e-põe e a lavagem (dê uma espiada no site http://www.babyslings.com.br/). Resultado: menos alergias, mais conforto para a criança e menos (muito menos) lixo. Numa conta rápida, uma criança usa cerca de 5.500 fraldas descartáveis ou... 65 de pano!
E quem disse que brinquedo precisa ser eletrônico ou de plástico? No último fim de semana, as crianças lá na ecovila Clareando brincaram a valer com... sementes, flores e pedacinhos de madeira que foram encontrando pelo caminho. Fizeram mandalas e colagens lindas sobre papel. Usaram a terra do lugar para fazer tinta. Pintaram o rosto e capricharam na maquiagem oriental que fez parte de uma peça de teatro improvisada em poucas horas. Quando o brinquedo não está pronto, elas usam mais a criatividade. E se sentem mais confiantes para inventar sempre mais e mais.
Se você tem filhos, sobrinhos, netos, afilhados, enfim, crianças por perto, pense nessas histórias antes de sair por aí comprando presentes de natal que, de fato, não têm nada de interessantes.
Ah, e para os mais engajados, fica uma sugestão, no mínimo, diferente: pinico seco! Isso mesmo. Depois do banheiro seco, é a vez do pinico seco, ou seja, uma versão do banheiro compostável para as crianças que estão deixando de usar fraldas. Ele parece uma poltroninha dessas que se vê em lojas de beira de estrada, só que tem um buraco no assento e um balde por baixo, para armazenar as fezes. Depois que a criança usa, é só ensiná-la a encher um copinho com serragem e jogar dentro do... pinico. No You Tube tem um vídeo que, bem no finalzinho, mostra um desses modelos. Está no link http://br.youtube.com/watch?v=atSVFx-b9Tc. É bem simples de fazer. Não perca!