Fãs de pau-a-pique

Simples, barato, tradicional, saudável, eficiente e ecológico. Até daria para gastar mais linhas adjetivando essa técnica que é, para mim, uma das mais interessantes de construção com terra... O pau-a-pique da foto (ainda só com a trama de bambu) é parte da minha casa em construção na ecovila Clareando, interior de São Paulo.
Suas paredes são super leves e oferecem excelente conforto térmico, já que a terra não isola o ambiente interno do externo. Ao contrário, permite uma troca mais do que saudável entre eles, mantendo o ar fresco no verão e aconchegante no inverno. Além disso, economizam no transporte de material e não geram resíduos. Por isso, essa técnica - que já foi muito popular no Brasil - foi escolhida para fechar as paredes do mezanino da casa, que servirá como escritório de um lado e, do outro, como sala/quarto de meditação, ioga e cantinho acolhedor para hospedar os amigos.
Para nos ajudar na empreitada, contratamos uma arquiteta que é especialista no assunto e nos foi indicada pelo Ângelo, amigo e um dos mais novos integrantes da ecovila. Os dois trabalharam juntos no Tibá – Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura, em Bom Jardim, RJ. Lá, foram “discípulos” do Johan van Lengen, arquiteto autor de uma das bíblias da bio-arquitetura, o Manual do Arquiteto Descalço.
Logo no primeiro dia de trabalho, descobrimos na Bianca Joaquim uma nova amiga, que ficou hospedada conosco na casa do Hiroshi (grande idealizador da ecovila) e ainda nos mostrou que sabe fazer também uma deliciosa tapioca para o café da manhã – afinal, pão de trigo importado, cá entre nós, não é lá muito ecológico. (Aliás, esse assunto já apareceu neste blog e eu reforço o link aqui para que você possa acessar, se quiser.)
Acompanhamos de perto a primeira semana de trabalho. Na obra, o clima era tranqüilo, sereno, silencioso. Dá para imaginar um canteiro de obras assim? Tudo começava minutos antes das seis da manhã, quando alguém na casa do Hiroshi acordava e tocava o sino da varanda para anunciar o início da meditação. Sentados na sala, passávamos uns vinte minutos em conexão interna profunda, um santo remédio para o bom humor e um bom dia de trabalho.
Em seguida, preparávamos o café da manhã: cuscuz, tapioca, ovo caipira mexido. Uma delícia. Só então partíamos para a obra. O Francisco, pedreiro de Piracaia, foi incorporado ao grupo. Ele, que nunca havia trabalhado com bambu, parecia muito satisfeito com as novas descobertas. Deu até sugestões, palpites, boas idéias.
O bambu foi colhido na região e cortado em meias-canas ou um quarto de cana, dependendo do diâmetro de cada vara. Bambus inteiros foram colocados na horizontal para estruturar as tiras trançadas na vertical. Um pouco diferente da trama mais tradicional do pau-a-pique, esta privilegia o desenho vertical, o que ajuda a prevenir rachaduras que poderiam comprometer as paredes. Um aprimoramento, portanto, da técnica original.
A Bianca, com toda a sua delicadeza, dava as coordenadas do que precisava ser feito, mas também sabia ouvir as sugestões dos parceiros, Ângelo e Francisco. Eu e o Edilson aproveitamos, então, a harmonia da equipe para dar continuidade a outras frentes de trabalho na casa: paredes de cob e tijolos de solo-cimento. O Hiroshi integrou nosso time no amassa-barro e se divertiu feito passarinho fazendo ninho.
Daqui a uma ou duas semanas, será hora de barrear as paredes. Em outras palavras, hora de mutirão! Sim, convidaremos os amigos da ecovila (e outros de fora que também queiram participar) para botar a mão na massa e descobrir quão terapêutico é mexer com a terra, “sujar” pés e mãos com barro e esterco... Aguardem...
Comentários
25/03/2009 às 00:00rosangela - diz: minha avo morou em uma casa de pau a pique gostaria de resgatar a memoria de minha infancia, gostaria de dicas de como começar a construir, precisa de estrutar sapatas colunas etc.... bjs ah ja tenho um cantinho reservado para a construção so me falta verba rsrsrs. acho a solução fantastiva ja que estamos na era do reaproveitamento de materil sera lindo !!!!! ah quero tbm um fogao a lenha é possivel vc me ajudar um bjs até ....
28/06/2009 às 16:43Márcia Maria Teixeira dos Anjos - diz:Olá, sou artesã e claro, sem grana. Estou querendo pintar um muro (enorme) da minha casa com cal e terra, sou de Minas e temos uma riqueza imensa de tonalidades, portanto acho que seria viável economicamente e visualmente. Preciso de informações técnicas sobre como fazer, de repente vc pode me indicar alguém que possa me ajudar...Abraços!!!!
21/08/2009 às 00:12renata prieto - diz:parabens pela materia e a coragem de construir seus sonhos; como "cidadã do mundo", nascida na Venezuela e profissional da area de patrimonio cultural (hoje aposentada por incapacidade) sou fã de tudo o q constitui esse tesouro, material e imaterial, o "saber fazer", q hoje está quase sumindo, poucas pessoas sabem fazer. Me interessa mto obter informações de pessoas q saibam e queram fazer, onde se podem localizar... Agradeço com mto carinho!!!
20/09/2009 às 14:43isabel alcantara - diz:tenho minha avozinha com 84 anos que ainda mora em sua casinha de pau a pique, faz tapetes com retalhos que seriam descartados na natureza pelas grandes confecções,faz fuxico, doce de goiaba e banana,faz sapatinho de trico pra criançada da visinhança e ainda trata das galinha de manhazinha e de tarde é uma ´´figura´´ GOSTAMOS tanto do PAU A PIQUE que resolvemos , minha mãe e eu ,nas horas vagas brincar de arquetetas e deu certo , estamos contruindo timidamente é claro ,pequenas casinhas com a ajuda de um cunhado que é bom pedreiro e entende bem de medidas, são apenas pequenas casas para decoração ,na verdade diria que a sua função é de uma luminaria, mas tem um quarto iluminado a claridade sai pelas frestas do ´pe direito que é feito com taqurinha ,tem a cosinha com janelina e cotina que da pra ver o fogão de lenha la dentro,tem rede pro lado de fora e ate vaso com flores. d trabalho mas é muitogratificante! a questão agora é saber para quem vender e por quanto!?mas foi muito bom encontrar vc e poder contar um pouco da minha historia, MAS DE UMA COISA VC PODE TER CERTEZA , A PARTIR DE HOJE , TEM MAIS ALGUEM MESMO QUE DESCONHECIDA E DISTANTE REZANDO POR VC,AMO QUEM AMA O MUNDO ,AMO QUEM SE PREOCUPA COM O PROXIMO, AMEI ENCONTRAR VC
20/09/2009 às 15:05isabel alcantara - diz:oi gente que bom encontrar vcs! passei aqui para dizer que ainda tenho o privilégio de ter minha avózinha com 84 anos ainda morando na casinha de pau a pique que contriram em 1965 onde cresceu minha mã~e que tb mora lá eu meus irmãos e primos e a familia continua crescendo por lá! minha mãe e eu fazemos luminarias é lógico em formato de casa pau a pique com telhado de sapé é uma mini-casa gostaria de ter a foto para te mandar mas vou providenciar. sucesso
11/10/2009 às 12:34Norma Lopes - diz:Olá, bom dia! PAU-A-PIQUE É SAPÊ:Nossa, parece um sonho. Pensei que só eu tivesse idéias desse tipo. Tenho um terreno pequeno em uma area rural e um pedreiro. Quero construir meu sonho e um estilo de vida lá. Sonho com hortas, jardins e uma casa "ecologicamentelinda", confortável, para 04 pessoas, com uma acolhedora cozinha com forno e fogão a lenha (com direito a chaminé). Gostaria de dicas, se possível, de como começar a CONSTRUIR, precisa de estrutar sapatas colunas etc.... Aguardo respostas, já super feliz. abraços. Norma Lopes.