Gaiatos e Gaianos
19/08/2008 às 08:03
Simplicidade voluntária


Imagine-se na casa de um amigo numa terça-feira à noitinha, com mais umas oito ou dez pessoas. O motivo do encontro (semanal) parece inusitado: compartilhar histórias sobre o que cada um tem feito para simplificar a vida – coisas como ouvir mais música, comprar menos roupas, andar mais de bicicleta ou cultivar o silêncio. Estranho? Talvez, no começo. Mas, acredite, essa “reunião” tem sido uma espécie de “happy hour” de quem participa dos Círculos de Simplicidade aqui no Brasil e em outros países também.

Todos sabemos que mudar hábitos e estilo de vida é difícil. Exatamente por isso é que o pessoal engajado na Simplicidade Voluntária criou esses encontros. O princípio é também simples, como não poderia deixar de ser: se estamos no mesmo barco, seguindo na mesma direção, por que não formar uma rede de apoio para troca de informações, experiências, idéias? Claro! Tão óbvio! E tão gostoso...

Sabe aquela vontade de ter mais tempo para curtir a vida, passear com os filhos no parque, fazer mais refeições em casa, dedicar uma tarde para caminhar pela cidade, sem pressa? Pois bem, ouvir relatos de quem está mais feliz hoje porque trocou a TV por momentos de silêncio, meditação ou música, por exemplo, pode ser valioso para manter o entusiasmo e a vontade de seguir adiante, simplificando tudo, cada dia um pouquinho mais.

Não existem fórmulas ou receitas prontas. E simplificar não significa privar-se de coisas importantes. Mas fazer escolhas mais conscientes e criteriosas. Uma vida mais simples tende a ser mais prazerosa, plena, cheia de sentido. Leonardo da Vinci dizia que “a simplicidade é o mais alto grau da sofisticação”. Não tenho dúvida disso.

Tornar-se adepto da simplicidade voluntária requer clareza de intenções, desapego e não-violência. E não há nada mais ecológico hoje em dia do que buscar uma vida mais simples. Será que você precisa trocar de carro a cada dois anos? Comprar um celular a cada três meses? Estar na moda o ano inteiro? Almoçar e jantar comida industrializada a seemana inteira? Enfim, consumir sempre mais e mais e mais?

Recomendo uma visita a dois sites que divulgam a Simplicidade Voluntária: http://www.simplicidade.net/ e http://www.simplicidadevoluntaria.com/. Lá você vai encontrar dicas, motivos e inspiração para, pelo menos, pensar no assunto e tentar descobrir por onde começar. Claro, porque ninguém muda da noite para o dia. Tem os Conversations Cafés, Simplesnics, oficinas e outras idéias interessantes.

E só para dar um gostinho de quero mais, fiz uma listinha de atitudes simples que encontrei nesses sites:

- veja menos TV;
- cultive o silêncio e a solidão;
- aprenda a diferenciar as viagens significativas das desnecessárias;
- alimente-se mais lentamente e menos industrialmente;
- evite atendentes de telemarketing (essa é ótima!);
- durma até mais tarde às vezes e acorde cedo sempre que possível;
- cultive a arte, a música, a natureza e os amigos;
- compre pela utilidade e não por status;
- adote uma atividade física saudável, como caminhar, nadar e andar de bicicleta;
- reserve tempo para vizinhos, família e amigos;
- priorize a qualidade de vida sempre.

(Foto: Minha sobrinha, Luana, trocando o videogame pelo balanço...)






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Por Giuliana
Capello

Giuliana Capello tem 31 anos, é jornalista e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. Escreve sobre construção sustentável para as revistas Arquitetura & Construção e CASA CLAUDIA. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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