Quando comecei a cobrir a Amazônia, em 2005, Blairo Maggi era o governador da serra elétrica, Ronald Mc’Donald era a caveira do desmatamento e todos os problemas da floresta podiam se resumir em uma palavra: soja. O preço da soja subia, o desmatamento também. E vice-versa.
Como o mundo dá voltas em quatro anos... Hoje em dia só se fala em boi. O que aconteceu?
Uma parte da explicação deve estar na Moratória da Soja, que essa semana passou por mais uma renovação do termo de compromisso entre a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e as grandes ONgs da Amazônia.
Tudo começou em 2006, quando o Greenpeace publicou o relatório “Comendo a Amazônia”. Iniciou-se uma reação em cadeia que foi bater lá a Europa, entre os grandes compradores de soja amazônica, como o Mc Donald's. Daí para os grandes compradores nacionais toparem uma moratória contra a produção de novas áreas desmatadas foi um pulo.
Hoje, o grupo de trabalho da soja (que reúne representantes de todas as partes interessadas) tem um sistema de monitoramento com sobrevôos às régiões produtoras. Se aparece um pedacinho de área desmatada que não estava lá antes, é boicote. O acordo foi renovado até julho de 2010.
A bola da vez está com a pecuária. O que me anima na ação do Ministério Público contra frigoríficos no Pará, e a reação que suscitou por parte de supermercados e bancos, é que tudo está muito parecido com a comoção da soja, em 2006. Começou, de novo, com um relatório do Greenpeace "A farra do boi", desta vez acompanhado por Amigos da Terra, com o estudo "A hora da conta".
Quem sabe o desenrolar da história leve mais uma vez a um avanço. Primeiro vem a porrada. Agora é a vez do diálogo.