Uma carta enviada por 10 senadores democratas ao presidente Obama diz que eles não vão apoiar o projeto de lei a menos que se proteja a indústria americana da competição com países emergentes que não ofereçam restrições similares aos gases de efeito estufa. Ou seja, dá-lhe protecionismo verde.
É uma péssima tendência para os nossos biocombustíveis, já bastante taxados no mercado internacional, a menos que o Brasil comece a mostrar serviço para reduzir a sua pegada de carbono.
A Organização Mundial do Comércio já anunciou, em junho, que um novo conjunto de barreiras tarifárias climáticas deve ser aprovado. A motivação é a mesma que aflige os senadores democratas: se os países ricos endurecem as regras, os negócios podem simplesmente bater asas e voar para as nações pobres, sem restrições e clamando por investimentos, e assim exportar tranquilamente para o resto do mundo. E continuar poluindo. É o que se chama de vazamento.
Se um compromisso do bloco emergente se tornar imprescindível para a aprovação da Climate Bill, uma das peças mais importantes da administração Obama, não é impossível imaginar que os EUA e outros afluentes queriam forçar o Brasil e sua turma a se enquadrar na marra. Pode pegar muito mal, em Copenhagen, já que a suspeita de protecionismo dá aos emergentes a desculpa para bater o pé e protelar...
Mas digamos que as tais barreiras tarifárias saiam, mais cedo ou mais tarde, já que não há sinais de que os países ricos vão voltar atrás nos seus planos de redução de carbono e eles não são bobos nem nada para pagar o pato sozinhos. Talvez só então o Brasil leve a sério seu papel.