Ovo frito não dá galinha
A boa notícia é que a Amazônia desmatada está se regenerando. Já dizia o filósofo: a vida encontra o seu caminho. A má notícia é que essa segunda geração de mata (chamada "capoeira") é pobrinha, pobrinha. Tanto em biodiversidade, quanto em biomassa, o que significa menor capacidade de estocar carbono.
Estou me referindo a um estudo novo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os pesquisadores resolveram olhar para uma parte das áreas desmatadas em 2007 e descobrir o que aconteceu com esses pedaços, usado imagens de satélite atuais. Nos estados do Pará, Mato Grosso e Amapá, o índice de regeneração é de 19,5%.
Tudo indica que a Amazônia nunca vai virar deserto, conforme a gente instintivamente costuma temer. Mas certas interferências na natureza não podem ser revertidas.
Aí me lembrei do Nicholas Georgescu, intelectual que caiu no ostracismo no começo dos aos 70, quando tentou fazer seus colegas economistas entenderem exatamente isso: tem coisas que não voltam atrás, como o ovo que, uma vez frito, nunca poderá gerar um frango. Para a economia tradicional, o crescimento e os recursos naturais são infinitos.
Vale a pena pesquisar as idéias do Georgescu, com base no conceito de entropia, emprestado da termodinâmica. É a tentativa de encaixar a economia no universo das leis naturais.
Com a retomada da economia ecológica, a premissa está mais viva do que nunca. Assim como as novas florestas que surgem sobre as cinzas da Amazônia, mas que nunca mais serão as mesmas.
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