Quem dá a última palavra sobre isso é o sistema Prodes, cujos dados são os mais confiáveis e precisos para informar a área devastada anualmente. Com a marca de 12.911 km² de floresta derrubada entre 2007 e 2008, o ritmo de desmatamento subiu, minha gente, subiu. Ou melhor, voltou a subir após três anos de desaceleração.
Mas no mesmo dia, o INPE também divulgou dados do Deter, sistema de detecção do desmatamento em tempo real. O Deter faz o mesmo serviço, mas suas imagens de satélite são muito menos precisas. Foi criado para ajudar a combater o desmatamento enquanto ele acontece, não para gerar o balanço final.
Mesmo assim, a assessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente tascou um título comemorativo em release: "Desmatamento na Amazônia cai 33% após aumento de fiscalização". Isso porque os números do Deter de junho deste ano, comparados com o mesmo período do ano passado, apontariam essa queda. Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo compraram.
De um lado, tem-se o melhor sistema de monitoramento de florestas do mundo (Prodes) apontando o resultado final de aumento em 2008, e de outro lado, o seu primo muito menos eficiente apontando uma tendência de queda que poderá ou não se confirmar para 2009.
O ministro Carlos Minc fez um ótimo trabalho ao garantir, em entrevista coletiva, que o certo ficasse em segundo plano, enquanto as manchetes emplacaram o duvidoso. Pelo menos o Estadão desconfiou e ouviu do coordenador do Programa Amazônia do INPE, Dalton Valeriano: "O que o Deter consegue enxergar está cada vez menos relevante".
Se você quiser saber exatamente qual é a trajetória do desmatamento ano a ano, desde 1988, de forma simples e detalhada, acesse essa tabelinha aqui. Essa é a realidade, ou o mais próximo que podemos chegar dela. O resto é bobagem.