Quero aproveitar o movimento do Blog Action Day para falar de um aspecto pouco comentado sobre a Conferência do Clima mais aguardada de todos os tempos: o que acontece se o acordo entre os países não sair. O buraco é fundo, acabou-se o mundo?
Não é que eu queria ser pessimista, pelo contrário. A dimensão da expectativa que essa COP provocou, com tamanha mobilização dos mais diferentes atores, na internet e fora dela, oferece algumas pistas interessantes para a vida pós COP-15. "Rede" é palavra-chave desse começo de século 21. Menos hierarquia, menos controle, mais participação e autonomia.
E, no entanto, muitas das expectativas em relação à Copenhague nos remetem de volta ao século 20. Os protagonistas são os líderes do mundo, e deles depende todo o nosso futuro. Ao resto de nós caberia apenas observar e torcer. É um mundo extremamente verticalizado, que não se encaixa mais perfeitamente na nossa realidade, e nas novidades que virão.
A propalada economia de baixo carbono não está esperando o resultado de Copenhague para decolar. São inúmeras as iniciativas, vultuosos os investimentos, não apenas de países. As grandes capitais do mundo, como Nova York, Paris, Londres, São Paulo e quem sabe até o Rio de Janeiro já se comprometem com metas voluntárias. O mesmo vale para estados americanos como Califórnia, Massachusetts, Oregon, que não estão sentados vendo a vida passar no Congresso americano.
A Califórnia, por exemplo, já começou a taxar suas empresas mais poluentes. E até localidades pequenas, como no movimento das Transition Towns, lançaram-se à lição de casa. Será que isso tudo vai voltar atrás se um acordo emperrar em Copehague? Duvido. E será que os países que já levam a cabo suas metas de redução de emissões vão deixar os retardatários poluírem o quanto quiserem, sem tomar medidas punitivas no comércio internacional? Duvido duplo.
A importância da COP 15 é que uma determinação de cima para baixo pode acelerar inovação e investimentos na velocidade que precisamos. Não se sabe ao certo qual é o ponto sem volta do aquecimento global, mas a cada novo estudo divulgado esse limite parece mais próximo. Para imprimir celeridade, os líderes do mundo são fundamentais.
Mas a Conferência do Clima não é o único caminho. "De cima para baixo" não é mais a mão única do mundo.
Para animar, a ótima regravação de "Beds are burning", música do grupo ambientalista Midnight Oil, preparada pela campanha TckTck (Tic Tac, no Brasil).