Tenho uma amiga jornalista que chama a imprensa internacional de "a cavalaria". Eles vêm para nos salvar. Isso porque tem coisas que a gente cansa de denunciar e criticar por aqui, mas parece que não faz diferença nenhuma. E quando a coisa repercute "lá fora", o quadro é diferente, parece que nossos representantes eleitos sentem mais o peso do olhar global.
Daí que eu gostaria muito que um membro da cavalaria atentasse para a completa esquizofrenia (que me perdoem os esquizofrênicos!) das políticas brasileiras no que se refere às mudanças climáticas, especialmente nesses dias que antecedem a Conferência do Clima (COP 15), em Copenhague.
O Congresso Nacional, todo pimpão, corre para aprovar a Política Nacional de Mudança do Clima até final de novembro, de modo que o Brasil tenha a lição de casa para apresentar ao resto do mundo na COP 15. O projeto, não mais que um marco regulatório genérico, passou ontem pela Câmara e segue para o Senado.
Mas temos um ministro do Meio Ambiente querendo reduzir em 40% o cenário tendencial de emissões brasileiras para 2020, numa receita que pode até ser adornada por retoques de energia e infra-estrutura, mas é basicamente desmatamento. Controlamos o desmatamento ilegal, fazemos a nossa parte.
Então como é que o mesmo governo deixa correrem soltas as propostas de implosão da legislação ambiental por parte dos ruralistas? Gente, essa conta não fecha. Ou a meta é menos desmatamento ou é mais.
Quem acompanha esse blog sabe que não é a primeira vez que eu coloco as coisas nesses termos. E como estou perdendo o vigor e o fôlego para bater sempre na mesma tecla, também eu estou rezando para a cavalaria chegar.
E já que vocês gostaram da polêmica sobre controle de natalidade, indico aqui uma matéria dos "cavaleiros" do jornal britânico The Guardian. O texto parte da mesma provocação que eu fiz no post anterior: "It's not the growing number of people in poverty who are causing climate change, it's the rich". Vale o clique!