Eco Balaio
14/07/2008 às 02:16
Eis a questão

Aos poucos as concessões florestais começam a sair do papel para a realidade, mas o modelo de economia da floresta que empolgou tanta gente há dois anos atrás, hoje, também gera dúvidas. Eu fui uma dessas pessoas que recebeu com muito entusiasmo a proposta da Lei de Gestão de Florestas Públicas, lá em 2006.

Parecia-me que fazer com que as áreas públicas florestais passassem a ter valor econômico, a partir de autorizações para a exploração da iniciativa privada, resolveria dois grandes problemas de modo localizado: o desmatamento (que só acontece porque floresta em pé não dá dinheiro) e a ilegalidade traduzida na grilagem (que só acontece porque em terra pública não tem ninguém tomando conta).

Se imaginarmos que as terras do governo correspondem a cerca de 70% de toda a Amazônia, dá para ter uma idéia do poder de inovação que a LGFP anunciava.

Andei conversando com alguns pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e descobri que há uma grande preocupação sobre como esse sistema vai promover também inclusão social. Se a exploração das florestas for exclusividade de grandes empresas, o que acontece com o caboclo comum que também vive desses recursos?

Mais do que isso, como é que a gente faz para que esse modelo sirva também para que o caboclo viva um salto de qualidade de vida, gerando emprego e renda?

Alguns dos especialistas que consultei temem a marginalização. Acham que mesmo organizados em cooperativas (algo que a LGFP permite e incentiva) os moradores locais teriam poucas chances de concorrer com empresas que têm maior capacidade técnica, se é que eles terão interesse em fazê-lo.

O sistema de concessões florestais parece ótimo do ponto de vista da conservação. Resta saber se será capaz também de gerar desenvolvimento social na Amazônia.

É isso que vim investigar. Hoje estou em Manaus. Amanhã sigo para Porto Trombetas, no Pára, onde vou acompanhar as audiências públicas da segunda Floresta Nacional a entrar no sistema de concessões. Semana que vem eu conto um pouco mais do que descobrir.






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Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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