Para quem se interessar pelo assunto, recomendo o documentário Hotspot África – The Consequences of Climate Change, produzido pela Fundação Heinrich Boll, um braço do partido verde alemão.
Hotspot é um termo cunhado na década de 80 pelo ecólogo inglês Norman Myers para designar as regiões do planeta que tem maior biodiversidade e estão mais ameaçadas pela ação do homem. Chamar a África de hotspot faz muito sentido, nesse contexto, já que as perdas e as ameaças tomam proporções continentais.
É um filme difícil de digerir, como sempre são os filmes ou as reportagens que tratam do drama africano. Mas vale a pena.
É muito intrigante descobrir, por exemplo, como a cultura nômade tribal no deserto do Saara está se perdendo porque a maior parte dos oásis desapareceu. Sem essas escalas, percorrer o deserto continuamente está se tornando impossível.
Na Etiópia, uma dos países mais pobre do mundo, a agricultura familiar é a principal forma de subsistência da população. Uma colheita bem-sucedida depende exclusivamente do clima, que agora está se tornando cada vez mais difícil de prever. A estação chuvosa está se prolongando demais, ou simplesmente não acontece em alguns lugares. Em 2006, um milhão de pessoas na Etiópia perderam suas casas devido a enchentes.
Em Uganda, a malária já é a causa de 50% a 60% das mortes de crianças e as epidemias estão chegando a lugares onde antes não havia. Com o excesso de chuvas, aumentam os nascedouros do mosquito, aumentam as picadas, aumentam os casos da doença.
O filme relata muitos outros casos, em que cultura, meio ambiente, e sobrevivência humana se misturam. É possível fazer o download no link indicado acima.