Eco Balaio
17/03/2008 às 20:52
África no alvo do clima

“Uma mundo já desigual torna-se ainda mais desigual”. É assim que Martin Perry, presidente do IPCC, teria resumido as conclusões do relatório que trata dos possíveis impactos do aquecimento global, em Londres, no ano passado. A revelação de que o continente africano seria a região mais atingida por eventos climáticos extremos em todo o mundo causou grande temor pelo futuro, além de escancarar um passivo ético com o qual todas as nações terão que lidar. Mas na onda de temer o amanhã, é fácil esquecer as mudanças que a já se abateram sobre a África nas últimas décadas.

Para quem se interessar pelo assunto, recomendo o documentário Hotspot África – The Consequences of Climate Change, produzido pela Fundação Heinrich Boll, um braço do partido verde alemão.

Hotspot é um termo cunhado na década de 80 pelo ecólogo inglês Norman Myers para designar as regiões do planeta que tem maior biodiversidade e estão mais ameaçadas pela ação do homem. Chamar a África de hotspot faz muito sentido, nesse contexto, já que as perdas e as ameaças tomam proporções continentais.

É um filme difícil de digerir, como sempre são os filmes ou as reportagens que tratam do drama africano. Mas vale a pena.

É muito intrigante descobrir, por exemplo, como a cultura nômade tribal no deserto do Saara está se perdendo porque a maior parte dos oásis desapareceu. Sem essas escalas, percorrer o deserto continuamente está se tornando impossível.

Na Etiópia, uma dos países mais pobre do mundo, a agricultura familiar é a principal forma de subsistência da população. Uma colheita bem-sucedida depende exclusivamente do clima, que agora está se tornando cada vez mais difícil de prever. A estação chuvosa está se prolongando demais, ou simplesmente não acontece em alguns lugares. Em 2006, um milhão de pessoas na Etiópia perderam suas casas devido a enchentes.

Em Uganda, a malária já é a causa de 50% a 60% das mortes de crianças e as epidemias estão chegando a lugares onde antes não havia. Com o excesso de chuvas, aumentam os nascedouros do mosquito, aumentam as picadas, aumentam os casos da doença.

O filme relata muitos outros casos, em que cultura, meio ambiente, e sobrevivência humana se misturam. É possível fazer o download no link indicado acima.






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Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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