Eco Balaio
03/03/2008 às 12:27
Além do que agrada aos olhos

“Madeireiras e carvoarias são multadas em R$ 1,5 milhão”, é uma das manchetes da Folha de São Paulo de hoje. “As forças federais (...) apreenderam 4.000 toras – quantidade suficientes para lotar 287 caminhões –“, diz o texto. Realmente, os números das operações da Polícia Federal para coibir o desmatamento ilegal na Amazônia impressionam.

O ano de 2008, para a Amazônia, começa com jeito de 2005. Foi em 2005 que se iniciou uma desaceleração dos índices de desmatamento, redução acumulada de 50% até o ano passado, segundo o MMA. Não é coincidência que também em 2005 foram deflagradas as memoráveis operações Curupira I, II e III, e outras subseqüentes, que desmantelaram esquemas de extração ilegal de madeira envolvendo inclusive funcionários do Ibama.

Parece que foi ontem. Ainda me lembro do que ouvi do então secretário de Biodiversidade de Florestas (hoje secretário executivo) do MMA, João Paulo Capobianco, em dezembro de 2005, durante um debate promovido pela Folha de São Paulo: “Nós praticamente paralisamos a atividade madeireira no estado do Mato Grosso, no entorno da BR-163 e em outros lugares porque era preciso acabar com as gangues.  Não vamos poder repetir isso no ano que vem”.

Grandes operações policiais geram grandes números, mas como apontou o secretário, não podem ser sustentadas ad eternum. Ninguém discute a importância de ações de comando e controle, mas não se pode negar que só elas não garantem as mudanças almejadas. É preciso reconhecer também que os big números nas manchetes dos jornais geram dividendos políticos muito mais atrativos que ações estruturais.

Foi o Thiago Guimarães, meu colega blogueiro aqui do Planeta, que sugeriu que eu comentasse as operações da PF na Amazônia. Realmente, já estava na hora de me manifestar sobre esse assunto...

Mas quero ressaltar aqui outra notícia que me interessa muitíssimo mais: a determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN) de que todos os bancos, públicos ou privados, devem exigir comprovação de legalidade ambiental e regularização fundiária para proprietários de terras na Amazônia interessados no crédito rural.

A medida á uma das principais reivindicadas por ONGs ambientalistas e cientistas há muito tempo. Essa, sim, tem condições de provocar grandes resultados sustentáveis no longo prazo. Mas sou treinada para desconfiar. Como ainda não tive tempo de consultar especialistas para saber se os termos acertados pelo CMN são os melhores possíveis, fico devendo uma feedback aqui no blog, em breve!

Aqui a notícia de hoje da Folha (só para assinantes) sobre as ações da PF
Aqui a cobertura do Estadão, na última sexta-feira, sobre as restrições ao crédito rural






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Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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