Estou convencida de que esse conjunto de argumentos é primordial não só para uma eventual candidatura verde à presidência, como para qualquer reforma em grande escala.
Mas é tão irônico que esse argumento seja o mais convincente... Ou seja, não é suficiente que a nata da comunidade científica reporte sistematicamente que as mudanças climáticas nos ameaçam como espécie. Para ganhar atenção do mundo, é preciso falar em termos de economia.
Mensagem número 1 - "Vamos todos morrer"
Reação: Er... ahm ...veja bem...
Mensagem número 2 - "A economia vai estremecer"
Reação: Aaaaaahhhhh! Pânico! Pânico!
Por exemplo, no debate sobre descarbonização dos EUA, cola muito mais o argumento da segurança energética (não podemos depender do petróleo dos países árabes! Eixo do mal!) Do que as mudanças climáticas. Espécies em extinção, vidas humanas em risco, tormentas? Nada disso impressiona.
Quem será que convenceu mais: o relatório do IPCC ou o relatório Stern? Se tivesse que apostar, eu colocaria as minhas fichas no segundo.
É mais ou menos o que o Nobel de economia, Paul krugman, diz em excelente artigo publicado no New York Times. Os cientistas do clima são como Cassandras. Sabem dos riscos e alertam as pessoas, mas é como se ninguém acreditasse.
Um amigo diz que as pessoas reagem por experiência. O mundo já viveu inúmeras reviravoltas econômicas e sabe o que isso pode fazer à vida das pessoas. Já o Apocalipse ninguém nunca viu. Mas mesmo assim, vamos combinar, a ordem das prioridades não deixa de ser maluca... Sem planeta não tem economia, pombas.
O título deste post é uma homenagem ao primeiro ministro do Canadá Stephen Harper que deixou de ir à reunião da ONU sobre o clima em Nova York para visitar uma fábrica de donuts. Os ativistas do Climate Network, na Alemanha, foram à embaixada do Canadá entregar o prêmio Fossil of The Day.
A piada: o que você prefere: o planeta ou donuts? DONUTS!