Mudei de opinião várias vezes ao longo da leitura. Acho que só isso já indica um saldo positivo. Pra que ler se você não vai ter suas ideias provocadas? Na verdade, sorri com peninha dos gringos quando eles supõem que a fiscalização da Amazônia deveria ser terceirizada, já que o governo nunca vai dar conta. Fácil falar, né?
Fui perdendo a paciência quando passei pela teoria de que o problema maior do Brasil não é falta de vontade política, mas de recursos. Pensei que os jornalistas esqueceram a salutar pulga atrás da orelha e caíram direitinho na lábia dos políticos. E tremi de indignação ao longo do capítulo que fala sobre Blairo Maggi e rasga seda aos montes para o pioneirismo do governador sojeiro.
Mas, quer saber? Onde mais eu teria acesso a um ponto de vista tão distinto senão nesse livro? London e Kelly já tinham escrito um outro livro sobre a Amazônia em 1980. Vinte e cinco anos depois, eles voltaram para ver o que mudou e o que parou no tempo. Ou seja, além de gringos, eles tem um ponto de vista riquíssimo e que é só deles. E é claro que muitas análises no livro também acertaram na mosca.
Terminei com a sensação de que eu e a maioria dos jornalistas ligados à cobertura ambiental estamos ficando enfadonhos. A principais cabeças pensantes sobre a Amazônia são brasileiras. Não poderia ser diferente. Mas acontece que nós, da imprensa verdinha, somos doutrinados por eles. Somos discípulos de seus ensinamentos e às vezes fica difícil pensar fora da caixa.
London e Kelly conseguem contemporizar as questões econômicas sociais e ambientais de uma maneira que (acho) nenhum jornalista brasileiro conseguiria. É um olhar virgem, que dá as suas escorregadas inevitavelmente, mas de onde podem surgir perguntas inesperadas. Por aqui, nós já conhecemos o discurso na ponta da língua. Estamos sempre preparados para enaltecer as ONGs e apedrejar o governo. São cacoetes. Será que realidade é mesmo sempre assim?
Ou seja, se você está cansado da minha conversa, leia “A última floresta”. ;-)