Antes de revelar a epifania, vamos ao impasse: de um lado, os países pobres que contribuíram muito pouco para o aquecimento global, têm menos recursos humanos e financeiros e acham que os ricos devem pagar a maior parte do pato.
Por sua vez, o mundo desenvolvido já entendeu que vai ter de abrir a carteira, mas quer garantias de que seus esforços não serão em vão. O conjunto dos países em desenvolvimento já responde por mais da metade das emissões de carbono globais. Sozinhos, os ricos não dão conta.
A solução: individualizar. O que os caras de Princeton propõem é usar como medida não a riqueza das nações, mas a riqueza de um bilhão de indivíduos no topo da pirâmide global, espalhados por todos os países. É criar um limite universal para quanto uma pessoa pode emitir por ano, de acordo com a quantidade de carbono que se quer retirar da atmosfera.
Mesmo os países em desenvolvimento têm uma parcela de sua população que é afluente e, por conseguinte, causa mais estrago ambiental. A beleza dessa proposta é o apurado senso se justiça. A maior parte dos top um bilhão de poluidores está nos países ricos, que receberiam metas de redução mais elevadas. Em primeiro lugar aparecem EUA e China. E, sucessivamente, até os grotões mais pobres da África, cada país receberia sua cota customizada de redução.
Não para por aí. A grande novidade é que os pesquisadores propõem também um piso. Três bilhões de pessoas no mundo, os pobres dos pobres, estariam abaixo desse piso e seriam estimulados a emitir mais carbono. Em outras palavras, isso significa licença para dispor de todas as alternativas, inclusive as fósseis, no combate à pobreza extrema.
Percebem a dinâmica? Riqueza material e pegada de carbono são tratadas como a mesma coisa. Fazer com que o topo e a base se encontrem no meio termo desejável pode não apenas solucionar a crise climática, mas ser um instrumento de combate à desigualdade no mundo.
Tá bom ou quer mais? ;-)