
Enquanto os líderes do G8 expandido se reuniam na Itália para fazer juras de amor e fidelidade à mitigação das mudanças climáticas, um grupo de pesos pesados de economistas de diversos países publicou artigo para dizer basicamente o seguinte: não adianta nada ficar bem na foto e mal na prática.
O Artigo é curto e fácil de entender. Vale o Clique. O Reino Unido, país que apresenta compromissos mais rígidos, obrigou-se por lei a atingir uma descarbonização de 5,3% em 7 anos, enquanto nenhum país jamais conseguiu em um mesmo período superar 2%. "O Reino Unido mira simplesmente o impossível", dizem os autores.
O Mesmo se passa com os Estados Unidos, e sua legislação de cap-and-trade em tramitação no Senado. A matéria de 1.300 páginas foi tão modificada e negociada, que grupos ambientalistas que antes a apoiavam agora torcem o nariz.
O problema comum aos dois seria apostar todas as fichas em limites de emissões compensados pelo mercado de créditos de carbono. Sabe-se que empresas acuadas em países desenvolvidos costumam migrar suas operações para os rincões do mundo onde não há tanta restrição. Ou seja, já que o cômputo final é global, fica elas por elas.
O modelo mais interessante, segundo os autores, é o Japão, país criticado por ter assumido metas mais modestas. Mas o Japão não quer saber de cap-and-trade nem de mercado de créditos. Apenas realizou um projeção realista de descarbonização e eficiência energética amparada por um plano de expansão de teconologias já existentes. No mundo real, dizem, o Japão tem mais chances de ser bem-sucedido.
Acho que esse artigo, entre outros, dá bem o tom das discussões que devem se apresentar na próxima Convenção do Clima, na Dinamarca. O sucesso não está na ambição dos compromissos, mas em encontrar a misteriosa medida do possível. Está aí o fracasso de Kyoto que não me deixa mentir.