A repórter Olive Heffernan, da Nature, fez uma defesa parcial. Ela lembra que o propósito do congresso era atualizar o mundo na pesquisa climática desde o relatório do IPCC em 2007. “Então a primeira pergunta na boca de qualquer repórter era: ‘o que há de novo?’”, diz. Segundo Olive, o único painel do evento que teve coletiva de imprensa foi logo no primeiro dia. Era justamente a apresentação de novas estimativas alarmantes do ritmo de elevação do nível do mar. Não é de se espantar que a notícia tenha emplacado destaque nos jornais.
A moral da história é que comunicar ciência também é responsabilidade daqueles que produzem a ciência. Já passou da hora de as instituições científicas fazerem uma bela consultoria de comunicação e passarem a tratar essa questão como estratégica. Em última análise, é da comunicação responsável que depende toda e qualquer mudança pretendida para tratar do abacaxi climático. Somos todos ouvidos.