Eco Balaio
20/05/2009 às 20:00
Mensagem das trevas

As ciências humanas respondem por uma parcela importante das pesquisas na área climática. Vem desses pesquisadores boa parte dos insights para lidar com os tempos bicudos que estão por vir. A imprensa é que não vê, dizem alguns. Um grupo de cientistas sociais que apresentaram pesquisas no último Congresso Internacional de Ciências Climáticas, em Copenhagen, publicou uma carta de reclamação na última edição da prestigiada revista Science (só para assinantes). O manifesto aponta que quase a metade dos trabalhos apresentados no evento era de humanidades e quase todos voltados para as soluções.

Apesar disso, dizem os cientistas, a cobertura mundial do evento primou exclusivamente pelas notícias catastróficas e apavorantes das ciências exatas e biológicas. A suspeita maior recai sobre a preferência editorial pelo sensacionalismo, algo que nenhum jornalista gosta de admitir.

A repórter Olive Heffernan, da Nature, fez uma defesa parcial. Ela lembra que o propósito do congresso era atualizar o mundo na pesquisa climática desde o relatório do IPCC em 2007. “Então a primeira pergunta na boca de qualquer repórter era: ‘o que há de novo?’”, diz. Segundo Olive, o único painel do evento que teve coletiva de imprensa foi logo no primeiro dia. Era justamente a apresentação de novas estimativas alarmantes do ritmo de elevação do nível do mar. Não é de se espantar que a notícia tenha emplacado destaque nos jornais.

A moral da história é que comunicar ciência também é responsabilidade daqueles que produzem a ciência. Já passou da hora de as instituições científicas fazerem uma bela consultoria de comunicação e passarem a tratar essa questão como estratégica. Em última análise, é da comunicação responsável que depende toda e qualquer mudança pretendida para tratar do abacaxi climático. Somos todos ouvidos.






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Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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