A pegadinha é que o mesmo não valeria para projetos hidrelétricos, considerados “de extremo interesse do governo”. Nesses casos, índio tem que largar o apito e ficar bem quieto.
Primeiro que a União estaria apenas re-editando um direito que eles já têm, sobre qualquer tipo de empreendimento. É o que garante a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário. Na Convenção não tem pegadinha nem exceção.
Segundo que... De que adianta dar com uma mão e tirar com a outra? Um hidrelétrica mal feita e mal planejada é tão capaz de arruinar o modo de vida deles quanto a mineração. O caso é que, de novo, a barganha tem endereço: as hidrelétricas de Estreito e Belo Monte, e sabe-se lá mais quantas que esse governo ainda planeja para a Amazônia.
Realmente, naquela região é muito difícil apontar um lugar para fazer uma mega-obra sem esbarrar com uma TI. E o Governo sabe, como prova a celeuma de mais de 30 anos de Belo Monte sem sair do papel, que o movimento indígena tem condições que travar uma bela briga e atrasar os planos.
É a velha, velhíssima estratégia de homem branco: tentar trocar bugigangas por ouro e diamante. E ver se os índios caem.