Esses mercados são um baita instrumento para remunerar serviços ambientais e garantir a conservação e a preservação. Com o REDD, o proprietário da terra recebe uma quantia para deixa a floresta em paz. É um estímulo contra o desmatamento. Mas o Greenpeace, uma organização ambientalista, é contra.
Segundo o relatório, evitar o desmatamento é relativamente mais barato que reduzir emissões industriais. Para o Greenpeace, créditos REDD podem fazer o preço do carbono cair em até 75%, o que prejudicaria o mercado como um todo, e diminuiria o capital disponível para fazer as mudanças estruturais. Países que ainda têm florestas, como Brasil e Índia, perderiam dezenas de bilhões de dólares.
Além disso, esse tipo de projeto é difícil de fiscalizar (sabemos como é difícil monitorar o desmatamento aqui no Brasil) e há ainda um desafio conceitual... o que é desmatamento evitado? Como afimar com certeza que aquela área seria devastada se não fosse o projeto REDD? É assim que, segundo o Greenpeace, as empresas que precisam se ajustar encontrariam um caminho fácil, barato, e pouco confiável para aparecer bem no filme.
Se isso tudo é verdade, os cabeças do Brasil estão na crista da onda. Marina Silva e Tasso Azevedo (ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro) já diziam isso há muito tempo. Foi a batuta deles que levou ao que hoje é o Fundo Amazônia, uma opção fora do mercado em que países ricos pagam para manter a floresta em pé, apenas para cumprir o compromisso assinado em Kyoto: dar assistência financeira para que países pobres possam reduzir sua pegada de carbono. E sem ganhar nada com isso. A não ser, é claro, sobrevida para toda a humanidade.