Eco Balaio
01/04/2009 às 21:28
Floresta sim, crédito não

Mais uma prova de como a questão ambiental se tornou sofisticada e cheia de escolhas difíceis: o Greenpeace acaba de lançar um relatório recomendando que os créditos por desmatamento evitado (REDD - Reduced Emissions from Deforestation and Degradation) sejam banido dos mercados de carbono.

Esses mercados são um baita instrumento para remunerar serviços ambientais e garantir a conservação e a preservação. Com o REDD, o proprietário da terra recebe uma quantia para deixa a floresta em paz. É um estímulo contra o desmatamento. Mas o Greenpeace, uma organização ambientalista, é contra.

Segundo o relatório, evitar o desmatamento é relativamente mais barato que reduzir emissões industriais.  Para o Greenpeace, créditos REDD podem fazer o preço do carbono cair em até 75%, o que prejudicaria o mercado como um todo, e diminuiria o capital disponível para fazer as mudanças estruturais. Países que ainda têm florestas, como Brasil e Índia, perderiam dezenas de bilhões de dólares.

Além disso, esse tipo de projeto é difícil de fiscalizar (sabemos como é difícil monitorar o desmatamento aqui no Brasil) e há ainda um desafio conceitual... o que é desmatamento evitado?  Como afimar com certeza que aquela área seria devastada se não fosse o projeto REDD?  É assim que, segundo o Greenpeace, as empresas que precisam se ajustar encontrariam um caminho fácil, barato, e pouco confiável para aparecer bem no filme.

Se isso tudo é verdade, os cabeças do Brasil estão na crista da onda.  Marina Silva e Tasso Azevedo (ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro) já diziam isso há muito tempo. Foi a  batuta deles que levou ao que hoje é o Fundo Amazônia, uma opção fora do mercado em que países ricos pagam para manter a floresta em pé, apenas para cumprir o compromisso assinado em Kyoto: dar assistência financeira para que países pobres possam reduzir sua pegada de carbono. E sem ganhar nada com isso. A não ser, é claro, sobrevida para toda a humanidade.






Comentários

07/04/2009 às 20:53
Harald Hellmuth - diz:
Concordo com a impossibilidade de definir desmatamento evitado. Na realidade o desmatamento deveria ser zero, para não reduzir mais a floresta e o esforço pelo reflorestamento deveria ser grande. Seria uma forma de ocupar contingentes da base da pirâmide sociual contribuindo para a Sustentabilidade Social.



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Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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