A medida está focada, não em empresas ou pessoas físicas, mas em instalações. Facilities, na língua deles. Qualquer edifício, casa, prédio, galpão ou fábrica etc. que produza gases de efeito estufa em quantidade superior a 25 mil toneladas/ano, será obrigado a quantificar e reportar suas emissões à EPA anualmente.
Esse piso, na verdade, é bem alto. Equivale às emissões de cerca de 4.500 veículos de passeio em um ano. A ideia é poupar o cidadão comum e os pequenos e micro comerciantes de mais um encargo (afinal, americano, hoje em dia, está vendendo o almoço para comprar a janta). Mesmo assim, a EPA diz que a medida vai atingir entre 85% e 90% das emissões anuais dos Estados Unidos.
Em release publicado no site da agência, a diretora Lisa P. Jackson diz que esforços para combater as mudanças climáticas só serão efetivos se baseados na melhor gama de informações possível. Palmas para Lisa!
E por que digo que isso é importante? Quantificar as emissões de GEE por ano é uma das principais obrigações dos países do anexo I, do Protocolo de Kyoto, que os EUA se recusaram a assinar. É um marco importantíssimo para uma esperada nova direção na conduta dos EUA sobre mudanças climáticas.
Além disso, dados amplos e atualizados são como telhado de vidro. É um instrumento fundamental de pressão para a comunidade internacional. E ainda tem o jogo de empurra entre EUA, China e Índia. Um não quer se mexer antes que o outro se mexa. Pois o Tio Sam se mexeu. E agora, teoriza-se, China e Índia serão pressionadas a fazer o mesmo.
E no Brasil, que também integra a lista dos cinco maiores emissores, os dados mais recentes são de 1994 (!). Sabe aquela história de que as emissões por desmatamento correspondem a 75% da pegada brasileira? Pois é, dados do ano do tetra. O governo promete uma atualização em 2009, mas o panorama já nascerá defasado porque o ano base é 2002. É fogo...