O salvamento da crise e do clima
Eu não sei quanto a vocês, mas eu já estou cansada de ouvir falar que a crise financeira e a crise climática precisam ser resolvidas em conjunto. Eu quero é mais resultado e menos discurso. Por isso adorei um infográfico do HSBC Centre for Climate Change que informa a porcentagem de “investimentos verdes” -tecnologias de baixo carbono- nos pacotes de enfretamento da crise em 12 países. (No Brasil, como vocês sabem, não tem pacote. Só marolinha...)
Não postei a imagem aqui porque o tamanho é muito reduzido, compromete a leitura.
Mas vocês podem conferir no site do The Guardian. A Coréia do Sul, quem diria, sai na frente com impressionantes 69% do total (US$ 38 bi) de investimentos, voltados para tecnologias limpas. Antes de ver o gráfico, eu tinha certeza que a liderança seria dos ponteiras de sempre, como Holanda e Inglaterra. Mas que nada... Por outro lado, é possível que o ranking não aponte necessariamente os países mais propensos ao desenvolvimento sustentável. Como Inglaterra e Holanda, entre outros, já vêm fazendo investimentos há muito tempo, pode ser que nesse pacote não tenha sido necessário incluir tanto a questão da sustentabilidade energética. Bom, isso é conjectura minha.
A China também é uma surpresa, com 34% de investimentos verdes em seu pacote. Não é pouca coisa, considerando o conselho recente de
Sir. Nicholas Stern: fazer com que pelo menos 20% das tentativas globais de salvamento na crise sejam compostos de medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. A surpresa trágica é a Índia, que está coladinha no Brasil entre os países mais problemáticos para o clima, depois dos desenvolvidos, e tascou um redondo 0% de investimentos verdes em seu pacote de US$ 6.8 bi.
Recentemente, eu tive o prazer de conhecer o blog do
Denis Russo - Sustentável é pouco. No post “o fim de uma era”, Denis diz que o ambientalismo como o conhecemos terminou no dia 17 de fevereiro, quando Obama anunciou “obscenos” US$60 bi do seu famoso pacote de US$825 bi para o meio ambiente. O que ele quer dizer é que acabou o ambientalismo como projeto de esquerda, como contra-cultura, já que a ideia finalmente penetrou o
mainstream.
Acho a observação interessante. Mas, não sei não, Denis... Desde “o fim da história” que a gente sabe que esses epitáfios raramente funcionam. O pacote nos EUA é um marco, sim. Mas se é para esquentar a mesa de apostas, eu só me atreveria a especular sobre o fim do ambientalismo depois de Copenhagen, quando todos os países signatários de Kyoto vão ter que se virar com medidas conjuntas bem revolucionárias para o clima.
Ou não. E daí voltaremos à estaca zero...
Para entender porque a crise financeira e a climática devem ser resolvidas em conjunto, vale esse post.
Comentários
26/02/2009 às 17:56Dany - verde novo - diz:Eu tenho uma posição muito segura em relação a todos os discursos sobre ambientalismo: qualquer mínima atittude tomada nesta direção é um ganho sem fim (mesmo se o que precisamos é imensamente mais que isso), porém sou do time do "ver pra crer" também! Já vi muita ladainha de pessoas, organizações e governos que gritam aos 4 cantos que fazem e acontecem ecologicamente, mas não cuidam do próprio quintal... Se surgir uma graninha pra aumentar a casa e aquela árvore está atrapalhando, claro que não pensam 2 vezes antes de meter a serra! Quer divulgar um projeto: panfletos e lixo espalhados!Hipocrisia Ambiental... odeio!http://www.verdenovoverde.blogspot.com/
10/03/2009 às 15:42Denis RB - diz:Valeu pela menção e pelo comentário, Carolina. Concordo contigo.