Uma reportagem do Estado de S. Paulo, no final de semana, conta essa história. A cidade havia sido duramente afetada pela operação Arco de Fogo, no ano passado, que desmantelou a atividade madeireira nos municípios que mais desmatam na Amazônia. Foram fechadas 58 madeireiras e mais de 8 mil pessoas ficaram sem emprego.
Agora, Tailândia começa a se recuperar, graças à ação estratégica do governo municipal, segundo o Estadão. Foram várias medidas: a prefeitura comprou uma fábrica de processamento de leite que dá preferência exclusiva a fornecedores locais, comprou também uma confecção que representou mais 300 empregos, e as carvoarias ilegais foram transformadas em fábricas de lenha industrial que usam pó de madeira prensado.
Tailândia, aliás, foi a cidade em que estourou uma balbúrdia no ano passado, com 2 mil pessoas depredando prédios e viaturas públicas, em protesto contra a operação Arco de Fogo. Vejam matéria do The Guardian. Parece que a situação mudou muito por lá...
Eu tenho muito receio em dizer que esse modelo da cidadezinha paraense pode ser replicado por todas as outras. "Estatizar", como diz o Estadão, pode ter dado certo lá, mas as realidade locais são cheias de peculiaridades que a gente desconhece. O que dá pra dizer é que esse é o quadro que se deseja. É nessas horas que a gente percebe o sentido da palavra "sustentável". É bem provável que, Tailândia esteja construindo uma economia que vai "se sustentar" por muitos e muitos anos e ainda vai sobrar floresta pra contar a história.
Também é fato que, se não fosse a ação firme do governo federal, Tailândia nunca teria se mexido para encontrar formas legalizadas de geração de renda. É como costumam dizer alguns dos meus amigos a respeito da crise financeira: "Deixa quebrar!!!", na crença de que a aspereza ensine as empresas a entrar no prumo.
Mas será que o remédio amargo sempre se justifica, mesmos às custas da quebradeira, em Wall Street ou na Amazônia? Não sei... essa eu deixo pra vocês.