Eco Balaio
18/02/2009 às 18:53
Cidade quebrada reage na Amazônia

O eventual descompasso entre social e ambiental não dá trégua.  As medidas emergenciais de combate ao desmatamento costumam provocar a fúria de cidades que vivem de explorar madeira.  O equilíbrio entre as coisas não é fácil, nem rápido, mas uma pontinha de esperança pode estar surgindo na pequena cidade de Tailândia, no Pará.

Uma reportagem do Estado de S. Paulo, no final de semana, conta essa história.  A cidade havia sido duramente afetada pela operação Arco de Fogo, no ano passado, que desmantelou a atividade madeireira nos municípios que mais desmatam na Amazônia.  Foram fechadas 58 madeireiras e mais de 8 mil pessoas ficaram sem emprego.

Agora, Tailândia começa a se recuperar, graças à ação estratégica do governo municipal, segundo o Estadão.  Foram várias medidas: a prefeitura comprou uma fábrica de processamento de leite que dá preferência exclusiva a fornecedores locais, comprou também uma confecção que representou mais 300 empregos, e as carvoarias ilegais foram transformadas em fábricas de lenha industrial que usam pó de madeira prensado.

Tailândia, aliás, foi a cidade em que estourou uma balbúrdia no ano passado, com 2 mil pessoas depredando prédios e viaturas públicas, em protesto contra a operação Arco de Fogo. Vejam matéria do The Guardian.  Parece que a situação mudou muito por lá...

Eu tenho muito receio em dizer que esse modelo da cidadezinha paraense pode ser replicado por todas as outras.  "Estatizar", como diz o Estadão, pode ter dado certo lá, mas as realidade locais são cheias de peculiaridades que a gente desconhece. O que dá pra dizer é que esse é o quadro que se deseja.  É nessas horas que a gente percebe o sentido da palavra "sustentável".  É bem provável que, Tailândia esteja construindo uma economia que vai "se sustentar" por muitos e muitos anos e ainda vai sobrar floresta pra contar a história.

Também é fato que, se não fosse a ação firme do governo federal, Tailândia nunca teria se mexido para encontrar formas legalizadas de geração de renda.  É como costumam dizer alguns dos meus amigos a respeito da crise financeira: "Deixa quebrar!!!", na crença de que a aspereza ensine as empresas a entrar no prumo.

Mas será que o remédio amargo sempre se justifica, mesmos às custas da quebradeira, em Wall Street ou na Amazônia?  Não sei... essa eu deixo pra vocês.






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Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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