Eco Balaio
28/01/2009 às 19:12
Do mal

Essa é para aqueles consumidores que gostam de colecionar motivos para sabotar grandes corporações.  Uma revista chamada Multinational Monitor acaba de publicar a lista das 10 piores corporações em 2008.  Aparentemente eles fazem isso há muitos anos e as justificativas são bem detalhadas.

Uma das eleitas é a gigante do petróleo Chevron e o caso que justifica a escolha é um velho conhecido meu.  Na verdade, a primeira reportagem que fiz na vida foi sobre um estudo de direitos humanos no Equador (que, como todos sabem, é um país amazônico).  Como era a minha primeira matéria e eu queria impressionar (rs), entrei numa investigação obsessiva sobre o processo judicial movido por povos indígenas do Equador contra a Texaco (que foi comprada pela Chevron), em 1993, por danos causados com despejo de milhões e milhões de litros de rejeitos de petróleo nos rios da região conhecida como Oriente*.

E não é que agora eu descubro que a Chevron está correndo sério risco de arcar com o passivo ambiental da Texaco naquele país, algo em torno de US$ 27 bilhões**.  Os lobistas da petroleira fizeram o diabo para retirar o processo dos Estados Unidos, onde há fortes precedentes de indenizações milionárias pagas por grandes corporações. Achavam que no Equador o processo daria em pizza, mas o jogo virou. Agora os lobistas encamparam uma nova estratégia, segundo reportagem da Newsweek: forçar o departamento de comércio americano a aplicar sanções comerciais ao Equador, caso o processo não seja arquivado.

A coisa é tão monstruosa que o caso ficou conhecido como "Chernobyl Amazônico".  Não sei como esse povo consegue dormir à noite.  Para mais casos horripilantes, acessem a lista das 10 +.

*Errei: Fiz uma confusão com os imbróglios do petróleo no Equador. A região onde operou a Chevron não é Yasuní, mas Oriente. O Yasuní também tem um histórico desastroso com a atividade e o rolo maior é com a Petrobras. É para o Yasuní que o governo do Equador lançou a ótima proposta de esquecer o petróleo no subsolo, desde que a comunidade internacional pague para deixar a floresta em paz.

**Update: O último relatório produzido pelo pelo perito Richard Cabrera, a pedido da corte Equatoriana, avalia em US$ 27 bilhões os danos causados pela Chevron. O relatório anterior, conforme publiquei anteriormente, dava conta de US$ 16 bi. 






Comentários

04/02/2009 às 11:20
Claudia Chow - diz:
Claudia Chow - diz:
Boa dica Carolina! ;)



Deixe aqui seu comentário:
Preencha os campos abaixo para deixar seu comentário no blog.

Seu nome:

Seu e-mail:




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
Posts anteriores
17/06/2009
• Marina Lá
11/02/2009
• O fim da picada
28/01/2009
• Do mal
19/11/2008
• Ser ou não ser
12/11/2008
• Ecoterroristas?
05/11/2008
• Alguém viu?
06/10/2008
• Fogo amigo
01/09/2008
• Ecoansiedade
04/08/2008
• Saber fazer
14/07/2008
• Eis a questão
16/06/2008
• Vai mal
09/06/2008
• Efeito Brasil
12/05/2008
• Por hoje é só
13/11/2007
• Dendê pode!
05/11/2007
• Rapidinha
22/10/2007
• Fim de festa
16/10/2007
• Frase da semana
11/10/2007
• Merchand do bem
10/10/2007
• Tirando onda
09/10/2007
• Registro
10/09/2007
• Gato por lebre
06/08/2007
• Retrato
02/08/2007
• Lua vermelha



Mapa do Site | Quem Somos | Política de Privacidade | Fale Conosco | RSS | Faça do Planeta Sustentável sua home page | Adicionar aos Favoritos
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados