Uma das eleitas é a gigante do petróleo Chevron e o caso que justifica a escolha é um velho conhecido meu. Na verdade, a primeira reportagem que fiz na vida foi sobre um estudo de direitos humanos no Equador (que, como todos sabem, é um país amazônico). Como era a minha primeira matéria e eu queria impressionar (rs), entrei numa investigação obsessiva sobre o processo judicial movido por povos indígenas do Equador contra a Texaco (que foi comprada pela Chevron), em 1993, por danos causados com despejo de milhões e milhões de litros de rejeitos de petróleo nos rios da região conhecida como Oriente*.
E não é que agora eu descubro que a Chevron está correndo sério risco de arcar com o passivo ambiental da Texaco naquele país, algo em torno de US$ 27 bilhões**. Os lobistas da petroleira fizeram o diabo para retirar o processo dos Estados Unidos, onde há fortes precedentes de indenizações milionárias pagas por grandes corporações. Achavam que no Equador o processo daria em pizza, mas o jogo virou. Agora os lobistas encamparam uma nova estratégia, segundo reportagem da Newsweek: forçar o departamento de comércio americano a aplicar sanções comerciais ao Equador, caso o processo não seja arquivado.
A coisa é tão monstruosa que o caso ficou conhecido como "Chernobyl Amazônico". Não sei como esse povo consegue dormir à noite. Para mais casos horripilantes, acessem a lista das 10 +.
*Errei: Fiz uma confusão com os imbróglios do petróleo no Equador. A região onde operou a Chevron não é Yasuní, mas Oriente. O Yasuní também tem um histórico desastroso com a atividade e o rolo maior é com a Petrobras. É para o Yasuní que o governo do Equador lançou a ótima proposta de esquecer o petróleo no subsolo, desde que a comunidade internacional pague para deixar a floresta em paz.
**Update: O último relatório produzido pelo pelo perito Richard Cabrera, a pedido da corte Equatoriana, avalia em US$ 27 bilhões os danos causados pela Chevron. O relatório anterior, conforme publiquei anteriormente, dava conta de US$ 16 bi.