Isso significa que o mundo tem 11 anos para se preparar para o grande colapso do século XXI. O que pode implicar uma barbeiragem absurda da IEA, que sempre negou a proximidade do peak oil. É nos dados da IEA que todos os governos do mundo baseiam seus planejamentos energéticos. Em 2005, o diretor-executivo da agência, Claude Mandil, disse que os defensores da teoria eram “catastrofistas” sem nenhuma substância.
Mas vejam aqui a substância: de 2007 para 2008, a própria IEA praticamente dobrou a expectativa de queda da produção de petróleo de 3.7% ao ano, para 6.7% ao ano. E a estimativa do preço do barril em 2030 também dobrou de US$62 para US$120. O motivo dessa enorme diferença é que, pela primeira vez, a agência fez um levantamento com base nos campos existentes em todos os países. O estudo detalhado é uma conclusão empírica, ao passo que os relatórios anteriores não passavam de chute matemático.
O pico do petróleo não significa que o combustível vai esgotar na face da Terra, mas que as fontes convencionais vão perder continuamente a sua capacidade até que a exploração seja comercialmente inviável. Para os “verdes” de carteirinha, pode até parecer uma boa notícia virar a página do petróleo. Mas se as projeções se confirmarem ano a ano, é altamente provável que o mundo se lance numa busca desesperada pelo “ouro negro” em fontes não convencionais, como os “oil sands” do Canadá, uma forma de petróleo extremamente densa e agregada a outros minerais, como areia. Os impactos ambientais desse esforço inútil são inestimáveis nesse momento.
Vale muuuuito ver a entrevista do Guardian em vídeo. O jornalista pegou tão pesado com Birol que quase deu pena...rs...
Bem aí estão as más notícias. Sei que não combina com o clima de final de ano, mas, como disse o pintor realista Millet: “Sejamos verdadeiros, ainda que sejamos feios”. Esse é o meu último post do ano. Um abraço a todos que passam por aqui de vez em quando, até 2009 e... boa sorte!!!