Eco Balaio
03/12/2008 às 17:00
Metas inevitáveis

Tive vontade de levantar a infame plaquinha com os dizeres "Eu já sabia!" Quando li a notícia sobre o lançamento oficial do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que inclui, pela primeira vez, metas de redução do desmatamento na Amazônia. No post "O que esperar da PNMC", de 27/10, eu dizia que o movimento pela preservação da Amazônia havia alcançado um alto nível de integração, coerência e poder de pressão.  A inflexibilidade da diplomacia brasileira em assumir compromissos pelo clima se tornou insustentável. E deu no que deu.

Essa foi uma briga longa, quase inglória... Estou feliz e acho que todos que participaram desse processo de alguma forma também deveria estar.  Maaaaas é claro que ninguém está plenamente satisfeito.  A meta de reduzir em 70% o ritmo do desmatamento na Amazônia até 2017 é alvissareira, mas faltam questões elementares, por exemplo, como vamos conquistar essa marca, quanto vai custar, quem vai pagar, quem vai executar.

Nesse momento a metas parecem mais uma jogada política para apresentar na próxima COP (Reunião das Partes da Convenção do Clima), na Polônia. Sabe-se o objetivo, mas não se decide como alcançá-lo por A + B.

Francamente, para mim, pouco importa.  Uma vez estabelecidas as metas, o governo assume um telhado de vidro irrevogável diante do movimento organizado no Brasil e diante da comunidade internacional.  Os meios virão a reboque, pode apostar. Muitas trapalhadas ainda estão por vir, mas a coisa caminha, finalmente, a passos largos. Não é mais possível retroceder.

No mesmo post de 27/10, eu também dizia que enquanto o debate sobre a Amazônia amadurece, o de energia ainda está muito longe do ideal.  De fato, o documento final do governo estabelece um prazo de dois anos para determinar metas de redução específicas para cada setor da economia. E esse assunto é fundamentalmente uma conversa sobre energia. Muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte, e as opiniões são muito diversas. Quem viver, verá.

Aqui o Plano Nacional de Mudanças Climáticas na íntegra






Comentários

03/12/2008 às 00:00
Alfredo - diz:
Bom Post!



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Eco
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Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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