Pensem em pagamento por serviços ambientais, por exemplo, um conceito tão novo e tão arrojado para o resto do mundo. Pois na Costa Rica, reina há mais de 20 anos uma política de remuneração àqueles que conservam os recursos naturais. Os parques nacionais respondem por 5,5% do PIB e a cobertura florestal alcança 52% do território.
Agora, arrojado m-e-s-m-o é o ministério de meio ambiente costarriquenho. A pasta é responsável também por energia, mineração e águas. Se isso não soar assim tão espetacular, lembrem do que era Marina silva versus Dilma Roussef, na época em que essa última comandava a pasta de Minas e Energia. Esse tacanho dilema fictício entre conservação e desenvolvimento que ainda prospera no Brasil. Reunir meio ambiente e energia numa única política, admitindo que as duas coisas são inseparáveis, é a fina flor do bom senso, um estágio que sabe-Deus quando vamos alcançar por aqui...
Aliás, o Brasil se gaba tanto de ter uma matriz elétrica formada por 88,7% de fontes renováveis. Pois na Costa Rica essa marca é de 98%.
A cereja do sundae, para mim, foi descobrir o projeto de reflorestamento da capital, San José. O projeto Floresta Urbana, aprovado no ano passado, visa recompor a cobertura vegetal da cidade, não de forma pontual, fazendo um parque aqui e uma praça ali, mas em toda a capital (muros, calçadas, postes, tudo...). Além de plantar árvores, a idéia é recobrir algumas estruturas de um tecido vegetal que dê permeabilidade ao espaço urbano e conectividade entre as áreas verdes, algo fundamental para a saúde dos ambientas naturais. De quebra garante a convivência com a natureza no cotidiano, não só em espaços reservados para isso, algo que comprovadamente acalma e traz qualidade de vida para a população.
Ainda não consegui alguém que me explicasse como esse povo chegou a esse nível de compreensão da sustentabilidade, que trajetória histórica possibilitou isso. Mas acho que a ignorância, nesse caso, só aumenta o fascínio.