Eco Balaio
27/11/2008 às 18:17
O país do futuro

Não, não vou falar do Brasil.  Vou falar da Costa Rica, país pelo qual eu sou absolutamente fascinada.  Pouca gente sabe que essa nação miúda da América Central é uma gigante em políticas de conservação e desenvolvimento sustentável.  Isso significa que anda pari passu com as melhores práticas dos países europeus e, em alguns pontos, não tem sequer comparação com o restante do mundo.

Pensem em pagamento por serviços ambientais, por exemplo, um conceito tão novo e tão arrojado para o resto do mundo.  Pois na Costa Rica, reina há mais de 20 anos uma política de remuneração àqueles que conservam os recursos naturais.  Os parques nacionais respondem por 5,5% do PIB e a cobertura florestal alcança 52% do território.

Agora, arrojado m-e-s-m-o é o ministério de meio ambiente costarriquenho. A pasta é responsável também por energia, mineração e águas. Se isso não soar assim tão espetacular, lembrem do que era Marina silva versus Dilma Roussef, na época em que essa última comandava a pasta de Minas e Energia.  Esse tacanho dilema fictício entre conservação e desenvolvimento que ainda prospera no Brasil.  Reunir meio ambiente e energia numa única política, admitindo que as duas coisas são inseparáveis, é a fina flor do bom senso, um estágio que sabe-Deus quando vamos alcançar por aqui...

Aliás, o Brasil se gaba tanto de ter uma matriz elétrica formada por 88,7% de fontes renováveis.  Pois na Costa Rica essa marca é de 98%.

A cereja do sundae, para mim, foi descobrir o projeto de reflorestamento da capital, San José.  O projeto Floresta Urbana, aprovado no ano passado, visa recompor a cobertura vegetal da cidade, não de forma pontual, fazendo um parque aqui e uma praça ali, mas em toda a capital (muros, calçadas, postes, tudo...). Além de plantar árvores, a idéia é recobrir algumas estruturas de um tecido vegetal que dê permeabilidade ao espaço urbano e conectividade entre as áreas verdes, algo fundamental para a saúde dos ambientas naturais.  De quebra garante a convivência com a natureza no cotidiano, não só em espaços reservados para isso, algo que comprovadamente acalma e traz qualidade de vida para a população.

Ainda não consegui alguém que me explicasse como esse povo chegou a esse nível de compreensão da sustentabilidade, que trajetória histórica possibilitou isso.  Mas acho que a ignorância, nesse caso, só aumenta o fascínio.






Comentários

03/12/2008 às 00:00
Alfredo - diz:
: )



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Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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