Em resposta à repórter Afra Balazina, a empresa disse o seguinte: “Somente em áreas protegidas, considerando florestas nativas próprias e florestas produtivas, a Vale possui um estoque já fixado de 677,5 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde à emissão de 312 usinas termelétricas iguais à de Barcarena”.
Sim, parabéns, mas afinal: essa empresa prioriza ou não prioriza a sustentabilidade? Essa palavra ainda tão obscura não pode ser, como já escrevi aqui, traduzida num cálculo de carbono. Não importa se a termelétrica de Bacarena é só uma agulha no palheiro. Não se trata de saldo, não se trata de sacrifícios ou investimentos pontuais, trata-se da identidade da empresa. Trata-se um princípio norteador que só faz sentido quando é incorporado como filosofia e que, em nome da coerência e da credibilidade, deveria ser praticado sempre que possível. Por que não consideraram uma parceria com SFB? O compromisso da Vale vai só até 677,5 milhões de toneladas de estoque de carbono? A partir daí “vale” o inverso?
Muito mais importante que poupar as 2,2 milhões de toneladas de carbono/ano emitidas pela nova termelétrica seria uma empresa desse envergadura passar a mensagem certa no mercado: cada atitude conta numa nova cultura de negócios.
Estou usando a Vale como exemplo, mas é óbvio que a empresa não está sozinha nesse mercado de perfis contraditórios. Fico aqui sonhando com o dia em que indivíduos e empresas entenderão que a sustentabilidade só faz sentido se for encampada como causa e que a inovação não se mede por toneladas, mas com postura. O dia em que a questão da sustentabilidade será a ancestral “ser ou não ser”. E sem coluna do meio.