Esse tipo de estratégia, conhecida também como ecossabotagem, é praticada há décadas por diferentes grupos e em nome de várias bandeiras. Algumas ações são pacíficas, outras mais agressivas, mas só recentemente a intersecção entre militância e terrorismo começou a ser considerada. Até que ponto a ecossabotagem pode ser considerada legítima?
O estopim para que eu postasse aqui sobre esse assunto veio da colunista Regina Scharf, que resolveu lançar essa discussão na Página 22. Foi aí que eu descobri que, em setembro, seis ativistas do Greenpeace foram absolvidos na justiça britânica por terem invadido e pichado uma termelétrica de carvão. O juiz entendeu que o dano à propriedade privada é perdoável quando visa chamar atenção para um dano maior - nesse caso, o aquecimento global. O caso conhecido como Kingsnorth Trial agitou a opinião pública. Há quem tenha ficado extasiado com o apelo da causa ambientalista e há quem tenha anunciado o começo de uma era de anarquia no Reino Unido.
Não tenho uma opinião formada sobre esse assunto, acho a polêmica mais interessante. Mas não pude deixar que notar que não há grande diferença entre o que fizeram os seis bravos do Greenpeace o que faz o Movimento para a Emancipação do Delta do Niger (MEND), na Nigéria. Só que esse último é considerado terrorista mesmo, sem perdão.
Há décadas a Shell vem sendo acusada por entidades ambientalistas de negligenciar vazamentos de petróleo no rio Niger. Eu mesma assistia a um documentário sobre o assunto e fiquei enojada de ver crianças tendo que beber uma água oleosa e adultos tentando pescar em volta de oleodutos vazando sobre um rio já preto de tanta poluição. O MEND é o grupo guerrilheiro que (literalmente) detona as instalações da Shell sempre que pode.
É interessante como uma coisa tão alarmante como terrorismo pode ser também uma questão de ponto de vista. Pode ser o ponto de vista da civilizadíssima Inglaterra, onde a própria família real ajudou a fundar uma das mais importantes organizações ambientalistas do mundo, o WWF, ou o ponto de vista da sofrida África, onde guerrilha é sempre guerrilha.
* GlobalIncidenteMap - é ver pra crer, mas não se pode mais conhecer os incidentes em detalhes porque o serviço agora é cobrado (quem é que topa pagar por isso??)
Bite Back - neste site obscuro, sediado na Flórida, ativistas anônimos pelos direitos dos animais relatam suas sabotagens contra redes de lanchonetes, empresas farmacêuticas e por aí vai. É bem hard core...