Não sei se eu estou mergulhada demais nesse assunto a ponto de comprometer a minha perspectiva, mas eu esperava uma repercussão muito maior. Esperava desmentidos ou confirmações do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores. Esperava empresários e industriais comentando a possibilidade de metas restritivas por setor da economia. Reclamando, até. Seria natural. Esperava pelo menos as manifestações dos ambientalistas destacados no País. Nada. Nenhuma linha.
Só posso concluir das duas uma: ou a credibilidade do ministro Minc anda muito em baixa, a ponto de ninguém mais levá-lo a sério (nos bastidores, ele é chamado de “Carlos Mídia”), ou a sociedade brasileira de um modo geral, juntamente com a imprensa que a representa, não dá pelota para esse assunto. A entrevista foi dada ao jornal Valor Econômico (não posso linkar aqui porque o conteúdo é só para assinantes. E eu nem assinante sou). O restante da imprensa calou.
Às vezes acho que vivo num mundo paralelo. Tanta coisa rolando... O Global Carbon Project (rede internacional de cientistas) afirma em estudo que os países em desenvolvimento somados poluem mais que os ricos juntos. A próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP), na Polônia, em dezembro, pretende buscar as primeiras definições do período pós-Kyoto, o que inclui definir que parte caberá à periferia global nessa história toda. E por aqui o governo corre para aprovar alguma política de clima, para ter o que apresentar.
Tudo esse momento de definição tem desdobramentos diretos na vida do brasileiros, no mínimo porque diz respeito à mesma economia globalizada que hoje agoniza com a crise financeira e apavora todo mundo. Mas não ressoa como deveria. E não sei explicar o motivo...