Eco Balaio
05/11/2008 às 16:08
Alguém viu?

Eis que em meio aos quentes debates da consulta pública do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o ministro Minc lançou uma inesperada carta na manga: o Brasil poderia se comprometer a reduzir “algo em torno” de 10% a 20% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2020. E disse mais: já teria convencido o Itamaraty e até o presidente Lula a rever uma posição que desde a memorável Rio92 se mantém inflexível –a de que aquecimento global é responsabilidade dos países ricos, que poluíram mais ao longo da história e têm mais dinheiro para tratar do assunto. Aos da periferia mundial, caberia fazer alguns ajustes, desde que subsidiados pelos ricos. No mais, restaria apenas crescer e crescer. Às custas da atmosfera, se necessário.

Não sei se eu estou mergulhada demais nesse assunto a ponto de comprometer a minha perspectiva, mas eu esperava uma repercussão muito maior. Esperava desmentidos ou confirmações do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores. Esperava empresários e industriais comentando a possibilidade de metas restritivas por setor da economia. Reclamando, até. Seria natural. Esperava pelo menos as manifestações dos ambientalistas destacados no País. Nada. Nenhuma linha.

Só posso concluir das duas uma: ou a credibilidade do ministro Minc anda muito em baixa, a ponto de ninguém mais levá-lo a sério (nos bastidores, ele é chamado de “Carlos Mídia”), ou a sociedade brasileira de um modo geral, juntamente com a imprensa que a representa, não dá pelota para esse assunto. A entrevista foi dada ao jornal Valor Econômico (não posso linkar aqui porque o conteúdo é só para assinantes. E eu nem assinante sou). O restante da imprensa calou.

Às vezes acho que vivo num mundo paralelo. Tanta coisa rolando... O Global Carbon Project (rede internacional de cientistas) afirma em estudo que os países em desenvolvimento somados poluem mais que os ricos juntos. A próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP), na Polônia, em dezembro, pretende buscar as primeiras definições do período pós-Kyoto, o que inclui definir que parte caberá à periferia global nessa história toda. E por aqui o governo corre para aprovar alguma política de clima, para ter o que apresentar.

Tudo esse momento de definição tem desdobramentos diretos na vida do brasileiros, no mínimo porque diz respeito à mesma economia globalizada que hoje agoniza com a crise financeira e apavora todo mundo. Mas não ressoa como deveria. E não sei explicar o motivo...






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Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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