Desde 2002, o movimento Transition Towns vem se espalhando pelos países do Reino Unido. A idéia consiste em capacitar e auxliar pequenas cidades, comunidades ou bairros a diminuir sua dependência do petróleo. O grande lance é a abordagem do mentor do movimento, Rob Hopkins, que prefere não entrar no mérito das mudanças climáticas. Ele simplesmente não trata desse assunto.
Por dois motivos: o primeiro é que a crise climática ainda gera muita discussão e controvérsia, o que sempre pode melar esforços, em qualquer escala. O segundo é que enfrentar o aquecimento global pressupõe aceitar que as soluções só existem com a adesão de todo o mundo. Nenhuma ação unilateral, por maior que seja, pode dar conta. E isso, para Hopkins, leva a um sentimento de desolação que pode ser totalmente improdutivo.
Muitos de vocês já devem ter passado por esse tipo de desânimo, normalmente acompanhado de conjecturas do tipo "que diferença faz a minha humilde garrafinha PET, uma simples sacolinha de supermercado ou as duas ou três lâmpadas que eu troquei em casa, diante de um problema -literalmente- do tamanho do mundo?"
Pois bem, em lugar de bater nessa tecla, o Transition Towns discute com as comunidades um problema bem mais palpável: o chamado Peak Oil. Grosso modo, trata-se do momento em que a humanidade verá esgotado, não o petróleo, mas o petróleo barato. Quando os custos de prospecção e comercialização atingirem níveis proibitivos, o que forçará uma mudança de hábitos de cada indivíduo, em todas as partes do globo.
Há analista que dizem que esse pico está próximo, outros que está distante. Mas todas concordam que ele virá e que é melhor se preparar. A vantagem, argumento Ropkins, é que ao lidar com o Peak Oil, as pessoas não precisam se preocupar com a agenda do resto do mundo. Mesmo uma vilinha medieval da Irlanda pode aumentar a sua resiliência fazendo uma substituição paulatina por outras fontes de energia, e estimulando a produção e o comércio local.
Aquela comunidade ficaria preparada para o líquido e certo Peak Oil (venha ele quando vier) e, de quebra, segue indiretamente a mesma linha dos esforços de combate às mudanças climáticas. É o sutil e certeiro poder da abordagem